Renascido em Cristo

Qual é a época do ano que é mais associada com o Cristo? Para a maioria de nós, isso seria o Natal. Neste período, a luz do Cristo retorna com força renovada para celebrar o maior feito acontecido neste planeta.

Esta luz é tão forte, tão penetrante e tão gloriosa que cria alegria. Há tanta sabedoria que vem dessa luz. Pois a sabedoria e luz são um. Em palavras humanas, nós chamamos isso de “iluminação”.

Assim, durante este tempo de Natal, a luz do Cristo penetra as mais baixas esferas de desgraça e tristeza e, em certa medida, até mesmo no mundo das trevas. Talvez seja apenas um lampejo—o que já é o bastante. Porque os seres do mundo das trevas não suportam essa luz—a menos que estejam prontos para avançar espiritualmente. Nesse caso, aceitam a luz com gratidão. E a seguem.

Mas, ainda assim, experimentam a dor ao entrar em contato com a luz. Porém, à medida que crescem e se desenvolvem como seres espirituais e se movem no reino humano, vão tendo sucesso em manifestar a luz do Cristo que lhes habita no mais profundo e que nos protege das criaturas que ainda residem no mundo de escuridão. Não duvidem: esta luz é uma e a mesma.

Então, quem é esse Cristo? Alguns cristãos afirmam que ele é Deus. Não é bem assim. O próprio Jesus disse isso e você pode ler tudo sobre ele na Bíblia. Ele não é o Pai, nem o Criador. Alguns dizem que Jesus era apenas um homem sábio, um mestre, um grande professor. Claro, ele tinha grande sabedoria, mas não tão diferente de outros grandes sábios que viveram em outros tempos, em outros países. Também não é isso.

Eis a verdade sobre esta questão: Jesus, o homem, foi a encarnação do Cristo, os raios do amor-sabedoria. E esse espírito é o maior de todos os seres criados. Ele é a primeira criação de Deus e a sua substância é a mesma substância que a de Deus. Cada um de nós, na verdade, possui algo desta mesma substância. É o que nos conhecemos como Eu Superior ou Centelha Divina. E é exatamente isso que nós estamos liberando de muitas camadas de imperfeições quando fazemos o nosso trabalho gradual de desenvolvimento espiritual. O que é importante saber, porém, e que nenhum de nós—ou qualquer outro ser que tenha pisado na Terra—manifestou essa Centelha Divina com a mesma intensidade e integridade com que Jesus o fez. E essa é a grande diferença.

Então, muitas vezes as pessoas têm essa reação interna a respeito de Jesus que diz: “Por que ele é muito melhor do que eu? Isso não é justo.” Tais pensamentos e sentimentos se escondem dentro de nós e é exatamente aí nessa treva que se encontram as sementes da queda dos anjos.

Este pensamento-sentimento estava lá bem antes do início da humanidade e, até mesmo, antes da criação deste planeta. E é isso que cria a desarmonia e o mal.

Mas, certamente, nós não percebemos o perigo e nem as possíveis consequências que poderiam resultar de tais pensamentos, sentimentos e atitudes. Mas, bem ali, no meio desse ciúme, encontra-se uma falta de fé em Deus e na Sua capacidade de nos amar.

Afinal de contas, mesmo que Deus tenha feito Jesus em primeiro lugar, e dado a Ele uma maior parte de Sua substância, se tivermos fé em nosso Criador—o que Deus merece—nós não pensaremos que isso foi injusto ou que isso significa que nos falta algo.

Atualmente, muitos já estão conscientes ou se libertaram desse sentimento que ainda existe em diferentes graus na humanidade. Aquela pequena resistência contra Jesus Cristo bem no fundo do nosso coração ainda é presente num grande número de pessoas e representa o germe de todos os nossos males. E é essa resistência que causou a nossa queda.

Então, de que maneira Jesus Cristo foi o único a salvar a humanidade? Qual foi a grandeza do seu ato? Por que ele encarnou na Terra?

Bem, uma das razões foi para nos ensinar. Mas, por mais verdadeiros e belos que tenham sido seus ensinamentos, as mesmas ideias, na sua essência, podem ser encontradas em outras fontes, de outras maneiras. De modo que, não poderia ter sido essa a única razão pela qual o “Verbo se fez carne”.

A segunda finalidade, mas ainda não era a principal, foi para nos demonstrar os seus ensinamentos na prática. Se olharmos para a Sua vida e morte, simbolicamente, podemos constatar todos os estágios de desenvolvimento que cada um de nós deve percorrer para recuperar o Reino dos Céus.

Assim como aconteceu com Jesus, nós passaremos por períodos de provas; sofrimentos e pela necessidade da fé nos momentos de adversidade; e, a crucificação do ego com a sua vaidade e sua vontade própria. Na verdade, todo o processo de retorno ao Eu Real está explícito na história da vida e morte de Jesus.

Em seguida, a ressurreição nos mostra que a verdadeira felicidade e a vida eterna pode ser encontrada mas apenas depois que o ego for crucificado. E isso só pode acontecer quando atravessamos a dor no espírito correto, como o que foi demonstrado por Jesus.

Ainda assim, esta não foi a principal meta da vinda de Jesus à Terra. Então, qual foi o propósito real para sua vinda?

Calma, nós vamos chegar lá!

O propósito real é que Ele é o Messias e tinha um plano maravilhoso. Mas, primeiro, saiba o seguinte: se Jesus tivesse falhado em sua missão—e esta possibilidade era real—um outro espírito teria vindo. Jesus foi a escolha lógica e, em breve, você vai compreender porque alguém tinha que fazer o que Ele fez. Alguém tinha que assumir a tarefa de passar por todo aquele sofrimento—e completamente sozinho.

Houveram momentos em que Jesus não contou com a proteção divina necessária para resistir todo o mal e a tentação. Mas por quê? Porque somente desta forma Lúcifer poderia reconhecer que as leis espirituais não foram quebradas e aceitar que Deus é perfeitamente justo. É exatamente por causa deste fato que cada um de nós—incluindo cada espírito no mal—pode retornar para Deus, ou seja, para o estado de perfeição e felicidade. E isso é tudo.

Deus, como todos sabemos, é o poder. E com o seu poder, ele certamente teria feito qualquer coisa, inclusive quebrar as suas próprias leis. Mas ele não o fez. Porque isso significaria que uma parte de seres teriam ficado reféns de Lúcifer, incapazes de retornar para o estado de bem-aventurança. E isso poderia ser com qualquer um de nós. Foi através de um plano muito vasto e elaborado chamado “Plano de Salvação” que está sendo possível que cada ser criado—inclusive Lúcifer—possa, mais cedo ou mais tarde, retornar para o caminho de casa que leva a Deus.

Depois que você compreender todo o plano será impossível dizer que Deus é injusto. Ninguém mais será capaz de dizer que o nosso livre arbítrio foi violado. Mas, nós precisamos perceber que a situação era extremamente grave e séria. A solução ousada que manteve a justiça suprema só poderia ter acontecido se alguém fosse capaz de cumprir uma tarefa incrível. Jesus Cristo foi o único a fazê-lo. Se não fosse Ele, talvez você estivesse refém de forças involutivas por toda a eternidade.

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