As Imagens

Todas as experiências começam com pensamentos, porque é no pensamento que reside a intenção. Pensamentos e crenças criam sentimentos, que levam a atitudes e comportamentos, e isso resulta nas circunstâncias de vida. Assim, ao fazer alterações, nós sempre temos que começar com os nossos pensamentos. O problema reside no fato de não sabermos realmente o que pensamos e em que acreditamos.

Quando olhamos para o oceano, vemos as ondas, os pássaros, os barcos, os nadadores e as ilhas. Mas, em geral, não podemos ver o que está sob a superfície. E é exatamente assim que se dá com os nossos pensamentos, que afundaram em nosso inconsciente. Eles estão fora de nossas vistas, mas não estão fora de nossas mentes.

Quando uma criança tem uma experiência dolorosa, ela se sente entre a vida e a morte. Para evitar a morte, a criança tirará conclusões sobre a vida a fim de manter-se segura. O Guia chama essas conclusões erradas de “imagens”. Elas são generalizações sobre a vida, na maior parte primitivas, ignorantes e irracionais, apesar de seguirem uma certa lógica própria.

À medida que a criança cresce, essas crenças não sobrevivem à luz da razão. Então, elas afundam no inconsciente e podem causar danos, atraindo experiências de vida decepcionantes que, muitas vezes, são exatamente o oposto do que é conscientemente desejado. Essas imagens são o que precisamos trazer à superfície, se quisermos entender a raiz de todos os padrões insatisfatórios em nossas vidas.

As imagens são formadas quando uma criança é muito jovem, por isso elas são geralmente construídas com o vocabulário infantil. Por exemplo, “As pessoas são más para mim”. Esta é uma conclusão generalizada tirada por uma criança, provavelmente filha de um pai agressivo de personalidade do tipo Vontade, que passou a acreditar que a maldade é uma verdade sobre todos.

Esse indivíduo passa a vida julgando, inconscientemente, que todas as pessoas são um inimigo em potencial. Conscientemente, ele só quer que elas sejam boas para ele. Mas, devido a essa imagem que carrega, aparecerá defendido por trás de uma máscara. Então, quando o outro (que tem os seus próprios problemas ou reage diante de uma máscara impenetrável) é cruel, ele se sentirá ameaçado de morte, confirmando sua imagem e a necessidade de defesa.

Essa dinâmica oculta pode levá-lo a passar a vida em um transe inconsciente que limita sua percepção da realidade. Como não está vendo toda a verdade, as situações da vida são erroneamente interpretadas como sendo intencionalmente dolorosas, e ele reage em conformidade.

Isso explica como, em nossa cegueira, recriamos continuamente experiências de vida que pareçam validar nossos equívocos. Quando essas crenças afloram, haverá uma identificação que afirma: “Sim, aquilo em que eu sempre acreditei era verdade”. Desse modo, não estamos à procura de uma crença que nos pareça completamente estranha. No entanto, até que isso chegue à superfície, permanecerá fora do nosso alcance.

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  • #41 Imagens: O Dano Que Elas Causam

Imagens criam uma massa inflexível e rígida na substância da alma, que lá permanecerá até começarmos a fazer este trabalho de autocompreensão. Somente quando trouxermos à tona tudo isso é que poderemos ver de que forma o nosso desejo inconsciente está em conflito com aquilo que acreditamos que queremos. Então, por que todos nós não mergulhamos imediatamente no nosso interior e descobrimos o que se esconde na nossa psique? Orgulho—eis o que nos impede. Não queremos “estar errados” porque, na forma dualista de pensar, “estar errado” é ruim. E, para a criança, “estar errada” é a confirmação de que ela não tem valor.

Surpreendentemente, apenas enxergar essas crenças ocultas não impede que elas permaneçam atuantes. Precisamos estar dispostos a sentir as emoções associadas a elas, que estão enterradas, para que possamos parar de nos defender contra a ameaça de dor. E precisamos empregar nosso ego saudável e maduro para acessar nosso interior e encontrar a verdade sobre as nossas crenças.

Somente então poderemos iniciar o processo gradual de reeducação e amadurecimento da criança interior e afirmar: “Não é verdade que todos tenham a intenção de ser maus comigo. Às vezes algumas pessoas me insultam, também por causa das suas próprias questões internas. Mas isso não significa que elas tenham um problema pessoal comigo. Agora, eu posso usar minhas habilidades de comunicação para questionar e procurar compreender as razões do outro”.

Oração de São Francisco de Assis

Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei com que eu procure mais
consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.

Nosso Eu Inferior quer ter sempre razão sem ter de pagar qualquer preço por isso. É uma lei espiritual, no entanto, que, para adquirir o que queremos na vida, temos de estar dispostos a pagar um preço. O preço é a autoconfrontação e a total honestidade para consigo. Por outro lado, quando nossas crenças não estão baseadas na Verdade e nas Leis Divinas, o preço a ser pago é vivenciar reações emocionais e padrões negativos de comportamento repetidamente.

A lei espiritual da Fraternidade enuncia que não temos de fazer esse trabalho sozinhos, e que mais ajuda é dada quando estendemos a mão ao outro. Para vermos nossa própria cegueira, às vezes são necessárias a paciência, a habilidade e a mão orientadora de alguém de fora—um terapeuta ou um curador espiritual treinado—que possa segurar a lanterna, enquanto olhamos para esses espaços internos ocultos.

Origem de uma Imagem | Um Processo em Quatro Etapas

  1. Na infância, uma situação causa infelicidade e descontentamento, e a criança quer evitar a dor.
  2. A criança conclui que cada situação semelhante à que causou a dor trará dor semelhante. Então, o que antes era uma realidade já se transformou em uma ilusão, porque a generalização é falsa.
  3. A generalização congela uma ideia preconcebida rígida, que se torna uma imagem: uma concepção errada congelada, uma massa rígida na substância da alma, inflexível e insensível, e que atrai as mesmas situações constantemente para justificar sua existência.
  4. Como a imagem é irreal, assim também deve ser a pseudossolução ou o “remédio” adotado. Porque não é realista, os resultados são decepcionantes, muitas vezes produzindo exatamente o oposto do que é desejado. Assim, as circunstâncias negativas continuam a ser criadas infinitamente.

Desmantelando uma Imagem | Um Processo em Quatro Etapas

  1. Encontre a afirmação da imagem e escreva-a num papel. Por exemplo: “Eu não tenho importância; Eu não valho nada; Eu causo dor às outras pessoas; As pessoas sempre vão ser malvadas para mim; Ninguém gosta de mim; Eu tenho que provar o meu valor; Eu não sou o bastante e nunca o serei”.
  2. Conecte-se com a vontade de encontrar conscientemente o evento original no qual a dor foi sentida pela primeira vez. Sinta essa velha dor, enquanto vai se liberando do orgulho que impede a experiência de senti-la.
  3. Esteja disposto a desafiar essa crença errônea e encontrar uma nova crença baseada na sua verdade atual e nas Leis Espirituais.
  4. Ore para que a verdade lhe seja revelada. Permita que uma nova conclusão seja plantada no solo restaurado dos seus sentimentos livres e desimpedidos.
  • #93 Imagem Principal, Necessidades Reprimidas E Defesas—Conflitos Interligados Antes Da Clarificação

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