Os Dez Mandamentos

Aqui estão os Dez Mandamentos, em resumo:

  1. Amarás a Deus acima de todas as coisas.
  2. Não farás imagens para adorar.
  3. Não pronunciarás o nome do Senhor teu Deus em vão.
  4. Santificarás o sábado como um dia de descanso e recolhimento.
  5. Honrarás teu pai e tua mãe.
  6. Não matarás.
  7. Não cometerás adultério.
  8. Não roubarás.
  9. Não darás falso testemunho contra teu próximo.
  10. Não cobiçarás e nem desejarás o que é do teu próximo.

Agora, vamos olhar alguns desses dez mandamentos mais de perto:

2. Não farás imagens para adorar.

Em seus ensinamentos, o Guia usa a palavra “imagem”. Ele escolheu essa palavra como símbolo de algo que é como uma fotografia. Tanto uma imagem quanto um retrato ou desenho representam algo que está morto—é uma imitação da vida. Embora um quadro possa ser uma obra de arte, não é real como algo vivo na natureza.

As imagens que nos habitam interiormente não são diferentes. São pseudo-defesas, conclusões tiradas na infância sobre como o mundo funciona e que nós carregamos inconscientemente como uma maneira de compreender o mundo e permanecermos seguros. Na infância, quando nós formarmos essas imagens (crenças), tínhamos a intenção de sermos felizes, de nos defendermos e nos sentirmos seguros. Mas as imagens fazem exatamente o oposto porque são baseadas em suposições irreais.

O segundo mandamento, “Não farás imagens para adorar”, está diretamente conectado com o perigo das imagens interiores. Na verdade, as pessoas não podem criar uma imagem de Deus. É impossível. O cérebro humano não tem grandeza para conceber tal coisa. Ponto final. Mas, ainda assim, nós tentamos. Apesar deste mandamento ser tão claro, a obstinação da humanidade a levou a criar imagens de Deus e ela acabou sendo tragicamente prejudicial. Antropomorfizamos Deus em forma de uma pessoa que pune e estabelece prêmios e castigos de maneira arbitrária—“você é meu escolhido; você e você estão sob a minha graça; você, não”. Isso é o que acontece quando tentamos fazer uma imagem de Deus.

Com o tempo e a maturidade, podemos perceber quão limitada é a nossa compreensão da grandeza de Deus, o Criador. A admiração e reverência chegam com a sabedoria. Ao chegarmos nessa compreensão nos libertamos da imagem nefasta de humano miserável e de pecador que não tem valor. Isso é honrar o Criador.

Apenas uma criança imatura se espancaria por não compreender o que ainda não pode compreender. Deus é a grande Mente Universal e compreender isso é sabedoria. À medida que nos desenvolvemos espiritualmente começamos a acolher e aceitar que o cérebro humano é incapaz de compreender Deus. Nesses momentos de lampejo de consciência, nos tornamos maiores do que erámos. E, assim, damos mais um passo rumo a nos tornamos cada vez mais semelhantes a Deus.

4. Santificarás o sábado como um dia de descanso e recolhimento.

Como sempre, esta afirmação tem um significado em muitos níveis. No nível externo, o sentido era muito diferente daquilo que quer dizer hoje em dia. Naquela época, as pessoas eram muito primitivas em termos de desenvolvimento. Se não houvessem caminhos apontados na direção de Deus, para quem nossos pensamentos e sentimentos deveriam ser devotados, os instintos inferiores teriam assumido o controle muito mais. Também é verdade que nos obrigar a fazer algo por meio de uma lei externa não é a essência da espiritualidade. Mas quando os instintos primitivos ainda corriam solto, uma lei externa era realmente necessária.

Num nível mais profundo e atual, esse mandamento é sobre o encontro do equilíbrio em todas as áreas de nossas vidas. Devemos dedicar parte do nosso tempo para nossos deveres, sustento e responsabilidade relativos ao plano material. Ao mesmo tempo, precisamos nos dedicar ao autoconhecimento e desenvolvimento espiritual sem esquecer que gozar a vida e sentir prazer faz parte. Precisamos relaxar. Precisamos encontrar a harmonia na forma como distribuímos nosso tempo entre as atividades para não corrermos o risco de sermos negligentes. Queremos ser saudáveis de corpo e alma. E o equilíbrio é um aspecto importante da nossa saúde.

A obrigação de “guardar o sábado” criou uma compulsão no tempo de Jesus e ele tentou alertar as pessoas disso (“O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado”. Marcos 2:27). Realizar um ato sem obedecer o livre-arbítrio não traz nenhum resultado construtivo. Por exemplo, é possível ser um workaholic (viciado em trabalho), mas guardar o sábado—o que é uma total falta de senso com relação à essência do mandamento: a busca do equilíbrio. Precisamos ter discernimento e bom senso para encontrar a harmonia sem aderir cegamente às regras, usando nossa liberdade com sabedoria. Na rigidez, a essência se perde.

É bom que se tenha um dia da semana—o sábado ou o domingo—para descansar e relaxar. Mas o que significa descansar? Qual é a única fonte real de repouso e, ao mesmo tempo, de ação? É claro que é Deus. E Deus não trabalha somente nos fins de semana para nos suprir do que precisamos.

Deus nos dá força quando trabalhamos para nos conhecermos, para que possamos superar nossas fraquezas, nossos equívocos, nossas limitações e nossa cegueira. O Deus em cada um de nós só pode se manifestar por meio dessa autobusca quando somos honestos conosco e trabalhamos para crescer e nos curar. Não podemos fazer isso num único dia da semana. Uma certa quantidade de tempo precisa ser dedicada à nossa vida interior—à contemplação, à reflexão e auto-observação. Essa é a única maneira de entrar em sintonia com as forças divinas que, de outra forma, estariam fora do nosso alcance.

A palavra “sábado” significa descanso, mas também significa o número sete. Por isso, o sétimo dia, de acordo com a Escritura, é o dia de descanso. Há também um significado místico para o número sete. É um número sagrado que indica que algo está chegando ao fim—ao Todo. Não é um fim propriamente dito, pois não existe tal coisa, ou seja, há sempre um recomeço. Na verdade, é o fechamento de um círculo ou de um ciclo. Quando o ciclo está completo, há um estado de paz—de descanso, de repouso.

Num caminho espiritual, seguimos num movimento de espiral. Às vezes, pode parecer que andamos em círculo, mas com o tempo, nós veremos que não é assim. Na realidade, a menos que fiquemos presos, um círculo de aparência semelhante está acontecendo em um nível mais profundo ou mais alto.

O número sete também indica o ápice do repouso, ou seja, a fase em que podemos alcançar uma visão geral de algo. Vemos como determinadas peças do quebra-cabeça se encaixam cada uma em seu lugar. Ter essa clareza nos dá uma certa paz. Isso é tranquilidade. E, então, vem o próximo círculo ascendente quando, novamente, ficamos chateados ou inquietos, quando as coisas parecem estar fora de lugar. Então, nos perguntamos se aquela paz do passado era apenas uma ilusão. Essa confusão, no entanto, nos levará a uma visão mais profunda e à paz no próximo ponto de descanso quando o círculo for concluído novamente. Claro que isso tem lugar desde que estejamos fazendo nosso trabalho com alguma profundidade e boa vontade.

Neste plano, as semanas passam em ciclos de sete dias. Eles são um símbolo dos ciclos menores dentro dos maiores. O tempo e a duração dos ciclos individuais é variável conforme cada pessoa. Um pode ser longo, outro curto—não há nenhuma regularidade neles. Na Terra, a medição do tempo é inteiramente simbólica. Mas, na realidade, não pode haver rigidez. Não podemos forçar os estágios artificialmente. Eles emergirão do trabalho pessoal que fazemos, de nossas próprias necessidades, problemas e personalidades. Eles surgem com base em nossos próprios esforços.

Periodicamente, podemos avaliar o nosso progresso. Yom Kipur é designado como o Sabbath dos Sabbaths (Sábado dos Sábados) na religião judaica. Neste dia especial, um inventário deve ser feito. Naturalmente que isso nao quer dizer que o inventário só deve ser feito neste dia. A partir desse ponto de vista, podemos ver aonde estamos, o quão longe chegamos, e o que ainda precisamos fazer.

Estabelecer rituais é uma maneira de facilitar a reflexão interior. Mas precisamos manter o olhar para além do rito, para o seu significado mais profundo, a sua essência. Uma cerimônia é apenas um sinal ou lembrete e, por si só, não serve a nenhum propósito.

Existem duas categorias de distorção em relação aos rituais. A primeira é formada por pessoas que aderem aos ritos para terem uma sensação imaginária de segurança. Quando se faz isso, tem-se a esperança de que o ritual ativará o significado existente por trás dele. Este é o pensamento positivo (wishful thinking) e é uma maneira preguiçosa de experienciá-los. Queremos alcançar a essência dos rituais, mas não estamos dispostos a pagar o preço com autodesenvolvimento e honestidade. Muitas pessoas pertencem a esta categoria e não estou falando apenas daquelas que frequentam denominações religiosas.

Na outra categoria, existem as pessoas que dizem que o ritual não tem nenhum significado. E até certo ponto, elas estão certas. Mas também estão erradas. Porque algo sábio, verdadeiro e flexível pode estar se manifestando na prática de um ritual. Quando alguém se fecha para a possibilidade de tal experiência, não é mais livre ou independente do que a pessoa que aderere aos rituais de maneira cega.

A circuncisão é um exemplo de ritual que foi introduzido durante um tempo em que a humanidade estava num estado muito primitivo. Em toda a Terra, o sacrifício de sangue foi usado para amenizar a culpa das pessoas terem traído a Deus, ignorando a verdade e cedendo às tentações do Eu Inferior. Os tempos eram difíceis. Então, quando os antigos judeus, que adoravam a Deus como sendo o único e verdadeiro foram instruídos pelo Senhor a parar de sacrificar vidas humanas, eles tiveram que chegar nalguma versão modificada do sacrifício de sangue apenas para lidar com sua esmagadora culpa interna.

Essa lei não tem nada a ver com saúde ou higiêne. Essa foi uma justificativa superficial que encobriu o fato de que o verdadeiro significado não foi compreendido. Porque realmente não fazia nenhum sentido. Conforme a humanidade foi amadurecendo, foi perdendo cada vez mais o sentido de dar continuidade a essa prática desumana e que traz grande sofrimento para um bebê.

Atualmente, somos suficientemente maduros para enfrentar nossas culpas diretamente. Precisamos nos perdoar pela dor que causamos aos outros, que é a origem da culpa justificada. A culpa injustificada e secundária (que criam o sofrimento que não está mais ligado à causa) também é desnecessária, inapropriada e indesejável.

Precisamos aprender a abordar as coisas de maneira objetiva e realística. As culpas injustificadas e secundária precisam ser eliminadas. Elas não servem para nada. E eis aqui um exemplo do sofrimento desnecessário causado pela culpa injustificada: a circuncisão que induz muito sofrimento para o bebê do sexo masculino.

E o ser humano do sexo feminino? Na verdade, existe um significado por trás do grande sofrimento que as mulheres têm suportado no processo de parto, até recentemente. Este também foi um deslocamento do “sacrifício de sangue”—a versão feminina da expiação da culpa de ter cedido ao Eu Inferior. Uma vez que a humanidade estava pronta para lidar com as culpas de forma direta e de maneira eficaz, medicamentos e técnicas naturais entraram em cena e tornaram possível o parto com menos sofrimento—e, até mesmo sem dor!

Portanto, existe realmente um efeito indesejável em todo o nosso ser quando perpetuamos costumes que não tem mais razão de existir. Eles realmente bloqueiam o fluxo harmonioso da nossa evolução causando sofrimento desnecessário.

5. Honrarás teu pai e tua mãe.

Esse tem sido um mandamento mal compreendido ao longo dos séculos e cuja compreensão superficial tem causado muitos danos. É muito comum pais que tem limitações importantes e que não fazem muito para merecer o amor e o respeito dos filhos. No entanto, forçar e culpabilizar são dois atributos que não se casam com amor e honra. Quando nossas primeiras impressões são esmagadas e sobrepostas com a obrigação de amar e honrar de maneira artificial e compulsiva, terminamos com mais dificuldade de amar e de desenvolver verdadeiro respeito pelo outro.

A busca compulsiva por obedecer esse mandamento leva as pessoas a honrar pai/mãe—em suas ações e atos—de maneira distorcida, autodestrutiva e com dificuldade de autoafirmação. Isso acontece para encobrir a culpa pelo ressentimento, ódio e hostilidade que arde no inconsciente. Só quando enfrentamos nossas hostilidades e fazemos as pazes com elas é que chegamos a um verdadeiro entendimento e perdão das falhas de nossos pais exatamente porque não se trata de uma cura forçada ou sobreposta. Assim, podemos encontrar o caminho do meio que reside entre fazer o que é bom para eles (colocando a nossa vontade de lado vez ou outra) sem nos desrespeitar e nos desonrar.

Honrar o outro não significa colocá-lo acima de tudo e desistir de nossa própria vida. Em nenhuma parte da Bíblia ou em qualquer outro livro sagrado está escrito que não devemos honrar a nós mesmos. Mas são muitos os que vivem sem se respeitar. Nós colocamos tudo e todos à frente de nós mesmos e, muitas vezes, veneramos nossos pais de maneira distorcida em detrimento do nosso próprio crescimento e direito de viver.

Quando isso acontece, podemos ter certeza de que ressentimento e mágoa estão ardendo no inconsciente e não ousamos olhar para eles. Não podemos dar o que não temos. Não podemos honrar um pai—ou qualquer outra pessoa—se não estivermos honrando a nossa própria vida. Não podemos agir a partir da cegueira e esperar o melhor. Precisamos ver a verdade. Quando o fazemos, podemos respeitar a humanidade básica existente em todos—independentemente de suas aberrações ou distorções.

Numa perspectiva espiritual, uma pessoa que alcança a verdade interior—como acontece quando se faz o trabalho de autoconhecimento—terá influência infinitamente maior no desenvolvimento de todo o cosmos do que milhões de pessoas em erro. Acredite ou não, meus amigos, esta declaração absolutamente fantástica é a verdade absoluta.

6. Não matarás.

Podemos aplicar todos os mandamentos em todos os níveis de nossa personalidade. Portanto, este mandamento não é apenas sobre o ato de matar alguém fisicamente. Os termos “vida” e “morte” se aplicam a muito outros níveis do que o físico. Pensamentos e emoções também podem matar.

Existe uma maneira de nos amortecermos que é quando imobilizamos a nossa própria força vital. Todos os nossos aspectos destrutivos, incluindo as nossas imagens e problemas não resolvidos, têm um impacto negativo sobre nós e todos ao nosso redor e isso vai matando a vida. Quanto mais avançamos, mais veremos isso de maneira muito clara.

Aqui está um exemplo de “assassinato emocional”: quando nos sentimos rejeitados e inseguros, temos a tendência de tentar agradar a pessoa cuja aceitação desejamos mas não temos. Costumamos fazer isso desprezando qualquer um que achamos que também é desprezado por aquele cuja atenção queremos tanto. Isso pode ser sutil, mas não é incomum. Tal traição magoa e rejeita os outros, trazendo-nos o oposto do que queríamos originalmente. Assim, à medida que rejeitamos, recebemos mais rejeição em vez de aceitação. Isso pode não se manifestar por meio de nossas palavras ou ações, mas fica escondido em uma atitude bem camuflada que tentamos esconder. No entanto, ela está lá, oculta e causando danos.

Nosso ser não pode ser inteiramente preenchido com amor e verdade a menos que possamos descobrir as áreas em que não estamos vivendo em amor e verdade. Essa é a porta que leva à salvação real e a única maneira de chegar lá é através deste trabalho de compreensão plena de nós mesmos. Não há atalhos, fórmulas mágicas, mantras, milagres e maneiras fáceis de fazer isso.

Somente a honestidade absoluta em tudo o que fizermos nos levará lá. Se perseverarmos nesse objetivo, nosso ser se tornará mais saudável, beneficiando a nós mesmos, aos outros e a todo o universo.

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