Tantas religiões

Como e por quê é possível que existam tantas religiões na Terra, tantos conceitos diferentes?

O Guia: Vocês pensam “todos dizem coisas diferentes, em alguma medida contraditórias; portanto nada pode ser verdade”. Só existe uma verdade, meus queridos, e a diferença nos conceitos humanos deve ser encarada da seguinte maneira (excluindo-se erros que foram transmitidos de geração em geração desde os tempos antigos).

A verdade, isto é, os fatos verdadeiros, tem forma e gestalt, assim como tudo que diz respeito ao espírito. Essa forma é imutável e ainda assim em mudança constante, já que tudo que é espiritual se move constantemente, vibrando em uma rotação circular. Não existe parada, nem sentimento, nada é estagnado. Imaginem uma roda que, no geral, é imutável, mas que se move constantemente.

Os homens, em seus vários lugares e tempos, levantam algumas vezes o véu que esconde a roda, e vêem uma parte pequena da imensa roda por trás do véu. Um homem vê esse pequeno detalhe da roda em certo momento; outro ser humano vê alguma outra coisa em outro lugar e tempo. O que eles viram pode ou não condizer, porque  a roda está se movendo, e quem levanta o véu pode ver em outro momento alguma coisa diferente, e quando contar o que tiver visto, pode parecer ser contraditório, porque as linhas que fazem a conexão do todo não podem ser vistas devido ao véu. Se a roda inteira fosse descoberta, o que parece contraditório se tornaria uma totalidade. E aí está a humanidade—lutando—porque os vários conceitos soam como contradições, enquanto na realidade isso não é verdade.

Mesmo erros claros contém em algum lugar um grão de verdade quando você vai à essência.  Algum dia, e quando tiver uma oportunidade, vou mostrar a vocês o que isso significa.  O ser humano  aborda essa área inteira com uma atitude errada. Freqüentemente, uma pessoa pensa que a verdade absoluta não pode existir, somente a verdade relativa, baseada nos vários conceitos derivados das visões atrás do véu. Assim, ela entende que tudo relacionado a Deus e à criação é mais ou menos uma questão de opinião e gosto.

“Cada crença tem seu lado bom e sua beleza”, alguém diz, “portanto todas essas questões são subjetivas, e não absolutas ou objetivas”. O resultado emocional é que a verdade espiritual absoluta não existe.

A pessoa não procura pela verdade que pode ser encontrada em cada conceito religioso, mas a coloca de lado, talvez somente emocionalmente, como ilusão, imaginação, ou preferência humana. Assim ela desativa o absoluto dentro de si mesma, que existe somente no espiritual. E se o ser humano pretensiosamente tira tais conclusões sobre Deus e sobre o erro humano, ele exclui em grande medida o reconhecimento de sua própria verdade, e dificilmente algum dia poderá dar uma olhada por trás do véu.

A base da autobusca inclui o reconhecimento do homem de que existe verdade absoluta por trás da verdade relativa humana, e que se ele transfere a relatividade da verdade humana para a verdade espiritual (achando que ela também é relativa, enquanto é absoluta), ele fecha a porta para a autorrealização.

Pode-se dizer que existem dois grupos de seres humanos: um que segue cegamente aos dogmas, sem raciocinar  sobre eles. Essas pessoas nunca terão a experiência profunda, pessoal de reconhecer a verdade.

O grupo na outra extremidade é o que mencionei anteriormente. Nos dias de hoje, muitos pertencem a esse grupo, principalmente entre os intelectuais. Eles acham que seus pontos de vista são particularmente “objetivos”. Segundo eles, estão “libertos” de tudo, e conseqüentemente enquadram a verdade absoluta divina, imutável, que se move eternamente, na mesma categoria do dogma humano, perdendo toda a razão!

Ambos os grupos estão em  extremos errôneos. Na verdade, esse último grupo está tão distante da verdade como o primeiro, ou até mais. Com todo seu conhecimento intelectual superficial, eles são na verdade pesquisadores, mas só poderão encontrar a verdade quando abrirem a porta para o seu eu interior, talvez no inconsciente.

(Palestra do Guia Pathwork #5)

 

Como as religiões continuam suas atividades no mundo espiritual? Existe luta entre elas? E elas influenciam os seres humanos?

O Guia: Em todas as esferas e nas diversas hierarquias existentes em cada uma delas, da mais alta até a mais baixa, as diferentes religiões estão representadas e funcionam de maneira  distinta e de acordo com o nivel do seu desenvolvimento.

Vamos começar com as mais altas esferas onde as diversas confissões religiosas também têm a sua própria organização, mas de uma forma bem divergente do que, muitas vezes, é imaginado pelos seres humanos.

Os espíritos nas altas esferas sabem a grande Verdade real da unidade de tudo, bem como, as falsidades e as verdades dos seus próprios grupos religiosos, assim como, das outras congregações.

Eles continuam a trabalhar para o Plano da Salvação dentro do seu circulo de fé porque cada um tem suas proprias tarefas para cumprirem. Se os espíritos das altas esferas não viessem à Terra, através das mais variadas organizações religiosas, o Plano de Salvação não poderia funcionar corretamente ou de forma eficiente.

Da mesma forma, espíritos de altas hierarquias trabalham e inspiram grupos, nações e indivíduos que não estão vinculados a qualquer religião. Há tanta coisa a ser cumprida neste grande Plano que, muitas vezes, existem tarefas a serem cumpridas mesmo através das condições e cegueiras existentes. Sem tais encarnações em variadas igrejas e grupos, seria impossível derrubar falsidades.

A verdade tem que crescer lentamente. Portanto, qualquer religião na Terra receberá emissários de todas as esferas pertencentes a esta denominação em particular. Tudo é ordenado de acordo com o desenvolvimento e a vontade do indivíduo em questão, e também de acordo com a sua abertura à Verdade. Assim, a quantidade de inspiração a ser recebida sempre depende da pessoa.

Você é sempre inspirado de acordo com seus objetivos e atitudes. Nas mais altas esferas, os espíritos planejam com uma visão a longo prazo, sabendo que sua inspiração tem um objetivo último, que raramente pode ser compreendido por seres humanos. Os espíritos não podem vencer os dogmas humanos. A menos que as pessoas possam ouvir a Verdade através da boca de espíritos altamente desenvolvidos e encarnados dentro de sua própria religião, elas não se abririam para qualquer inspiração, porque suas mentes e crenças estão muito definidas e fixas.

Sempre que for este o caso, as portas estão fechadas à inspiração que vem do  mundo espiritual. Uma boa vontade sincera precisa estar presente para permitir que o  mundo de Deus possa fazer o bem. O mundo espiritual de Deus precisa de trabalhadores em todos os grupos, em todas as religiões, para atingir o grande objetivo da unidade final.

Nós sabemos que esta unidade não pôde ser alcançada até o momento, mas nós trabalhamos visando esta meta não tentando destruir, mas construindo na direção daquilo que conta: a unidade.

Portanto, no mundo de Deus, certamente que as diferentes religiões não divergem e lutam entre si. Todas elas tem o mesmo objetivo. Elas conhecem as limitações dos espíritos inferiores e tentam erradicar lentamente essas limitações, construindo sobre o que é construtivo.

No entanto, nas esferas que ainda não pertencem ao mundo de Deus, as condições são bem diferentes. Na maior parte das vezes, existem várias religiões que não lutam entre si apenas porque não tem a oportunidade de fazê-lo. Pode haver uma exceção em um caso individual que é muito complicado de explicar aqui mas, como grupos, eles tem suas próprias esferas e permanecem lá.

Na esfera da Terra, tudo o que está contido nela – paisagens, montanhas, mares, casas, qualquer objeto – existe concretamente e não altera a sua forma de acordo com as atitudes das pessoas. Em outras palavras, você vê este quarto da mesma forma que  uma pessoa numa condição de desenvolvimento espiritual mais elevado ou mais inferior que o seu o veria.

Os objetos nesta sala permanecem os mesmos para qualquer ser humano com um sentido normal de percepção, enquanto que, o mundo espiritual é o retrato de idéias, atitudes, pensamentos e mentalidades do espírito. Lá, tudo é resultado de pensamentos, sentimentos e ações. Portanto, espíritos do mesmo desenvolvimento estão sempre juntos numa mesma esfera. Isso diminui o atrito, mas também a possibilidade de avançar.

Outros espíritos, digamos que, inferiores, não podem sequer ver as paisagens ou objetos que os espíritos mais desenvolvidos veem e que são produtos de suas personalidades.

Mas na Terra, não é assim, e há uma boa razão para isso. Tomemos o caso dos seres humanos que acreditaram fervorosamente em uma religião em particular. De muitas maneiras, eles ainda são imperfeitos e, portanto, não podem chegar a esferas mais altas após a morte dos corpos fisicos.

Quando eles entram no mundo espiritual, eles serão sempre rodeado de espíritos, tanto superiores quanto inferiores, compatíveis com eles e, portanto, pertencentes a esse mesmo grupo religioso. Os espíritos mais elevados podem tentar lhes aconselhar sobre erros pessoais, bem como, sobre os erros de suas convicções.

Mas se essas pessoas forem teimosas, muito doutrinadas em suas próprias crenças, elas não estarão receptivas a tais palavras e irá rejeitar todos os conselhos e dicas sobre o que seja falso. Como o livre arbítrio jamais é violado, essas pessoas são livres para seguirem aqueles espíritos que não mudaram suas próprias crenças.

Entretanto, elas fazem isso menos no mundo espiritual do que na Terra. No ultimo caso, uma vez encarnados, elas tem a oportunidade de conhecerem outros meios de chegarem a Deus e de aprenderem algo com isso. Mas, no além, elas vivem em seu próprio mundo e, por isso, podem levar um tempo muito longo para mudarem seus pontos de vista, especialmente se, devido às suas convicções pessoais, elas encarnarem novamente imersas nos mesmos ambientes e crenças.

Alguns espíritos dessas esferas ficam decepcionados com o seu mundo que não é tão belo; e é então que eles podem perceber, e com razão, que isso é devido à sua própria imperfeição e não tem nada a ver com a sua crença religiosa. Só numa fase posterior de purificação que lhes ocorre que a teimosia e a estreiteza mental fazem parte do nucleo do seu eu inferior e, finalmente, que essas características, entre outras coisas, são responsáveis pela sua unilateralidade e parcialidade.

Enquanto existir essa teimosia, ninguém podera receber inspiração sobre algo que seja contraditório às suas próprias convicções, a menos que seja através da Graça de Deus e que só pode acontecer em casos raros. Tal graça precisa ser conquistada de outras maneiras.

É possível que uma pessoa ou um espírito se desenvolva em todas as religiões. Somente quando um certo ponto de desenvolvimento é alcançado é que a pessoa percebe que toda a Verdade pode ser encontrada sob uma forma universal. Quando você tiver alcançado esta consciência, você vai ver que não há divisão entre as religiões; já não há qualquer atitude de “só assim é certo e todos os outros estão errados.” Então, você enxergará os erros das diversas religiões e, ainda assim, trabalhará com a Verdade.

 

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