Religião Verdadeira

Você poderia explicar o que é a verdadeira religião em comparação com a falsa atitude religiosa? Onde é que entra a crença em Deus e Sua ajuda? 

O Guia: Você vai sentir que Deus é uma ajuda quando você chega à verdadeira religião, depois de abandonar a muleta, mas num sentido totalmente diferente. Agora, você precisa da ajuda de Deus porque você se faz impotente. Depois, você vai sentir a ajuda de Deus porque vai perceber a perfeição do universo e suas leis, a força delas, das quais você é uma parte integrante,  contributiva.

Você vai ver que você é a força motriz da sua vida. Você pode ajudar a si mesmo se realmente quiser, se estiver pronto a sacrificar alguma coisa. Vamos dizer que queira a felicidade num certo sentido – e esse não é um sentimento vago, é um objetivo claramente definido. Você vai  investigar e descobrir de que forma até agora impediu essa felicidade, e o que você pode fazer agora para consegui-la por esforço próprio. Você vai entender o que isso exige de você, e caberá a você atender a essas exigências, por ter concluído que vale a pena, ou não.

Mas não haverá mais a sensação pungente de ter sido uma criança menosprezada e injustamente tratada. Essa é a maturidade espiritual e emocional, a verdadeira religião. O papel de Deus não é proporcionar a você as coisas que você não quer obter por conta própria. Mas a consciência de Deus é que o mundo d’Ele é tão maravilhoso que você tem muito mais poder do que havia percebido até agora, bastando para isso que você se coloque em movimento, afastando obstáculos, bloqueios, cobiça, comodismo, covardia.

A falsa atitude religiosa se manifesta quando você pede que Deus o ajude a superar uma dificuldade da vida, e depois cruza os braços e fica esperando. Você não reflete o suficiente para descobrir por que ocorreu essa dificuldade.

Pode até fazê-lo por ordem de outra pessoa, em posição de responsabilidade. Mas mesmo enquanto você procura fazer esse exame, existe sempre o intuito interior de provar que, nesse caso, você não tem nada a ver com a dificuldade. Ela sobreveio a você imerecidamente, e não há saída a não ser com a graça de Deus. Não há vontade interior e energia para descobrir como você pode encontrar a saída, usando a criatividade.

Deus está em você. As forças divinas estão em você, desde que você as mobilize, ao invés de esperar que elas venham de fora. A mobilização dessas forças só pode acontecer se você abandonar alguma atitude prejudicial, algo destrutivo que também cabe a você descobrir o que é.

A força e a segurança provenientes dessa atitude proporcionarão um relacionamento totalmente diferente entre você e Deus, um conceito totalmente diferente.

Do ponto de vista emocional, o conceito e o clima interior serão diferentes. As palavras, muitas vezes, são as mesmas. Muitas vezes, as palavras da verdadeira e da falsa religião são as mesmas. No entanto, a experiência interior é completamente diferente. Tanto na falsa como na verdadeira religião, você pode dizer que a graça de Deus existe. Mesmo que você esteja por conta própria, a graça existe. Mas esse entendimento não ocorrerá se você não se apoiar nos próprios pés.

Enquanto esperar que a graça de Deus compense a sua preguiça e cobiça humanas, você vai se decepcionar, quer ou não admita isso para si mesmo. Assim, você fica magoado, zangado e revoltado. E então, ou vira totalmente as costas a Deus, negando Sua existência no universo, ou se considera um caso isolado de negligência, em parte não merecedor da Sua graça e ajuda, e em parte tratado injustamente.

Desta forma, prosperam a culpa e a autopiedade. Com isso, você fica mais dependente e impotente. E assim segue o círculo vicioso – você compensa a revolta contra Deus procurando aplacá-lo ainda mais, com uma obediência temerosa totalmente superficial e ocasionada pelas mais doentias motivações.

 

Mas o que fazer? Essa imagem de Deus está tão arraigada em nós há tantas décadas de falsa atitude. Isso quer dizer que, se nos afastarmos desse conceito, a prece também deve mudar? A atitude toda mudaria? Tudo mudaria?

O Guia: Sim, é claro que sim. Veja, meu filho, você não pode dizer “agora vou me afastar da minha imagem de Deus.” (Palestra #52—A Imagem de Deus) Não é algo a ser decidido com a mente. Não é assim que funciona. O impacto emocional permaneceria, caso você tentasse mudar por uma simples decisão interior.

Para tomar a decisão interior, o procedimento precisa ser o mesmo que sempre foi neste trabalho. A maneira de proceder é descobrir essas atitudes e entendê-las de maneira mais profunda e completa. Se isso for realmente feito, não apenas superficialmente, você vai se surpreender ao descobrir a que meios extravagantes vocês recorrem para manter à força a infância, e por quais motivos específicos.

Depois que analisar e entender determinados padrões de comportamento emocional, você vai ver como eles são absurdos, como são incompatíveis com as crenças conscientes, como são contrários aos seus interesses, como são logicamente impossíveis, porque estão sempre em conflito com tendências contrárias.

Depois de ver e entender tudo isso, a mudança ocorre naturalmente. É necessário um certo período de auto-observação para obter uma compreensão completa e poder mudar.

Você não pode começar dizendo “agora vou me livrar da minha imagem de Deus.” O único meio é descobrir essas reações emocionais sutis e discretas. Elas não são nem óbvias nem acentuadas. Tampouco são totalmente inconscientes. Elas estão lá, mas são tão sutis, e vocês estão tão acostumados a elas que não vêem nada errado. Identificá-las e analisá-las é o primeiro passo, e o passo seguinte é considerá-las à luz do que foi exposto aqui. Isso vai ajudar a eliminar e dissolver a imagem de Deus, porque a sua atitude vai mudar naturalmente.

Você vai descobrir, por exemplo, quais são suas verdadeiras expectativas, quais são suas queixas interiores. Vai descobrir o que você mesmo faz para transformar essas expectativas em realidade e entender por que isso ainda não aconteceu. Esse deve ser o procedimento.

O simples fato de você estar consciente dessa imagem de Deus é extremamente favorável, porque há muitos outros que ainda não têm essa consciência. Eles estão convencidos de que não têm distorção alguma a esse respeito. Não associam determinadas reações emocionais a essa imagem de Deus, a essa atitude de falsa religião. Estão atentos apenas para a crença consciente correta, enquanto os conhecimentos inconscientes ainda estão muito longe da percepção.

 

Qual é a religião mais distante da verdade?

O Guia: Não se pode dizer isso. Não se pode fazer tal afirmação. Pode ser que uma denominação religiosa tenha mais ensinamentos verdadeiros, mas outra com um menor número pode, no geral, estar mais próxima da verdade. Além do fato de que seria perigoso fazer essas comparações, isso não é importante.

 

Uma das últimas coisas que Cristo disse foi “Pai, seja feita Tua vontade.” Se tomarmos isso como exemplo, poderia ser obediência ou poderia ser liberdade.

O Guia: Exatamente. Como eu disse antes, muitas vezes as palavras são as mesmas. É muito fácil interpretar mal a verdade porque a essência da verdade está na disposição e na capacidade de entender.

Por exemplo, com base no que expus esta noite, você poderia dizer que não existe a graça de Deus. Se o homem deve ser livre e independente, onde entra a graça? Não haveria necessidade.

Mas isso não é verdadeiro. A graça existe. No entanto, não existem palavras para transmitir a verdade do conceito da graça, a menos que você já tenha atingido essa verdadeira experiência religiosa interior. Quando você não mais precisa da graça como substituto da sua fraqueza, quando você não precisa transformar a sua fraqueza em trunfo, é porque você já ficou forte.

Durante algum tempo, você vive sem o entendimento da graça. Depois, o verdadeiro conceito da graça se manifesta para você. Em outras palavras, primeiro é preciso passar por esse estado intermediário de solidão. Os grandes místicos designam esse período de “noite escura da alma”.

A interpretação correta das palavras que você acaba de mencionar, “Seja feita a Tua vontade”, é a seguinte: “vou deixar de lado minha vontade individual própria, minha visão limitada, e abrir-me para que o Divino venha a mim.” Ele não virá de fora, mas sim de dentro, como profundo conhecimento e certeza, mas vocês não vão se dissociar dessa percepção. Não será uma questão de “ou eu ou Deus”. Ambos serão um, mas isso somente pode acontecer se vocês se entregarem, se deixarem de ser rígidos. Esse é o verdadeiro sentido.

O falso sentido dessas palavras torna o homem fraco, obtuso e sem alternativa a não ser deixar que outro ser atue em seu lugar, decida por ele. Esse outro ser é muitas vezes uma autoridade humana ou uma Igreja que alega agir em nome de Deus.

“Seja feita a Tua vontade” não significa obediência. Significa abrir-se o máximo possível para que uma sabedoria maior passe a fazer parte de você e aja através de você.

 

Pelo que você disse, fica claro que a religião é uma questão de desenvolvimento de cada alma até o ponto ótimo, pelo crescimento através da pesquisa e do autoconhecimento. No entanto, as igrejas exerceram um papel predominante por muitos anos. Assim, parece que a função da igreja em algum momento chegaria ao fim. Isso é correto? 

O Guia: Sim, de fato ela vai deixar de existir. Quando mais pessoas seguirem um caminho de autoconhecimento, de crescimento, de desenvolvimento de seus recursos, elas não precisarão mais de autoridade externa. E com relação àqueles que ainda não tiverem avançado muito no desenvolvimento, a lei humana será suficiente para proteger a sociedade dos elementos indomados e destrutivos. O verdadeiro divino somente pode operar em almas livres, e isso vai acontecer. Toda a tendência da história aponta nessa direção.

(Palestra do Guia Pathwork #88)

 

É possível a fé em Deus e o amor sem maturidade emocional ?

O Guia: Isso é impossível quando falamos de amor real, de vontade de se envolver pessoalmente, e não na necessidade infantil de ser amado e mimado que tantas vezes é confundida com amor. Para que exista amor real, fé real e autêntica, a maturidade emocional é uma base necessária. Amor e fé sem maturidade emocional são mutuamente excludentes. A capacidade de amar é um resultado direto da maturidade e do crescimento emocional.

E a verdadeira fé em Deus, no sentido da verdadeira religião, ao contrário da falsa religião,  também é uma questão de maturidade emocional, porque a verdadeira religião é autodependente.

Ela não se agarra a uma autoridade paterna por necessidade de proteção. A falsa fé e o falso amor sempre têm uma forte conotação emocional de dependência.

O verdadeiro amor e a verdadeira fé nascem da força, da confiança em si, da responsabilidade por si. Todos esses são atributos da maturidade emocional. E somente com força, dependência de si mesmo, responsabilidade por si mesmo é possível haver amor, envolvimento, fé verdadeiros.

Qualquer pessoa que tenha crescido espiritualmente, seja ou não uma personagem histórica conhecida, precisou ter maturidade emocional.

(Palestra do Guia Pathwork #89)

 

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