O Pecado e o Mal

Qual é a explicação espiritual que o Pathwork pode oferecer sobre o pecado e o mal? 

O Guia: O seu mundo na Terra, como todos vocês sabem, pelas palestras e ensinamentos que têm recebido, é um mundo de irrealidade. Podem chamá-lo de realidade temporária. Tudo que vocês vivenciam, as conclusões a que chegam pela lógica superficial do seu intelecto, que ignora a verdade espiritual e absoluta, tudo isso é enganoso.

Têm um valor limitado, tal como, por exemplo, as conclusões errôneas da alma. Quando a criança chega a essas conclusões, estas têm sua própria verdade e seus valores, mesmo limitados, os quais se aplicam a uma dada situação de forma correta. Como eu já expliquei,  essas conclusões têm sua lógica peculiar, mesmo que limitada.  Entretanto, apesar de corretas, quando adequadas a uma dada situação ou a uma circunstância particular, são erradas e irrealistas quando se referem à verdade geral da vida. Existe uma relação desse tipo tanto nas conclusões e deduções que o intelecto faz de forma correta, quando se refere às circunstâncias temporárias de certas condições desta vida no plano da Terra, como no mundo das leis espirituais da realidade absoluta onde essas mesmas deduções e conclusões não se aplicam.

O pecado, como todos vocês sabem, nada mais é do que a ignorância.  É uma distorção. Ninguém é mau, malvado ou maligno porque gosta de sê-lo.  Talvez seja assim porque pensa, de forma equivocada, que isso lhe sirva como proteção. Quanto mais vocês se analisam e se compreendem, mais perceberão o que é verdade no seu próprio caso e, dessa forma, o que também é verdade para os outros.

Assim, quando as pessoas forem  más,  vocês não se sentirão, mais, amedrontados ou envolvidos pessoalmente. Isso não mais lhes causará sofrimento.  Isso pode parecer impossível mas, é verdade. Quando se alcança esse estado de consciência e se tem um vislumbre da Verdade Absoluta, percebe-se que não existe a maldade, a ruindade, o pecado, a malignidade. Tudo isso só vigora no momento em que estão vivendo na esfera terrestre, com uma visão limitada originária de suas próprias distorções. Quando conseguirem se elevar acima deste estado de erro, verão que todo o mal existente neste plano nada mais é que uma arma de defesa, ou melhor, uma arma pseudo-defensiva já que, na realidade, seu efeito acaba sendo ao contrário.

Quando conseguirem compreender o motivo do mal e do pecado, não mais continuarão a temê-lo, não mais se sentirão pessoalmente em risco, consequentemente, irão sentir que esse motivo perde sua realidade. Todos vocês estão à caminho de vivenciar essa verdade, pelo menos em algum grau.

Ao perceberem suas próprias conclusões errôneas e conseguirem anulá-las, nada mais irá se colocar entre vocês e o amor e a vivência da liberdade. Desse modo, vocês retiram aquela parte em vocês que se encontrava na escuridão, que era egoísta e que não conseguia amar devido às conclusões errôneas. Ao encontrarem e retirarem o equívoco, passam a viver segundo os conceitos verdadeiros da realidade. Poderão, então, amar sem medo e, assim, viver sem pecado, se desejam usar essa expressão.

É por isso que o mal e o pecado são apenas produtos de um mundo ilusório que existe apenas enquanto vocês vivem nessa ilusão, mas que não possuem  qualquer realidade absoluta. Quando conseguirem elevar sua consciência vocês se libertarão desse mundo, que não terá, mais, qualquer realidade. Mesmo quando o virem nos outros, sua consciência elevada lhes permitirá ver através dele, compreendendo seu significado, sua origem e, assim, percebendo seu efeito puramente temporário. Na verdade, ele não tem qualquer efeito sobre a realidade, de forma alguma. Só afeta aqueles que ainda vivem na ilusão e apenas no próprio momento em que a estão vivendo.

(Palestra Pathwork #66)

 

Por que todos os ensinamentos espirituais, no passado, falam de pecado em vez de doenças ou neuroses? 

O Guia: Porque não faz diferença e são a mesma coisa. Basta olhar para trás, na história, e você vai ver como as pessoas desprezavam o doente tanto quanto desprezavam o pecador. As pessoas doentes eram condenadas ao ostracismo. Só bem recentemente é que isso mudou e tornou-se importante não enfatizar o pecado e o mal, a fim de desencorajar o desprezo e a arrogância.

Até pouco tempo atras, as pessoas insanas eram  comparadas aos criminosos. E ainda pode levar algum tempo antes que as pessoas parem de olhar de cima para para baixo com relação àqueles que estão perturbados, doentes, neuróticos, ou espiritualmente menos desenvolvidos. Portanto, esta é uma questão de desenvolvimento geral da humanidade e suas perspectivas, e não uma questão de semântica.

A questão aqui é o julgamento e o desprezo, ao invés de compreender, amar e ajudar. Embora a doença e o pecado sejam a mesma coisa, a pessoa com uma percepção limitada vai julgar e desprezar ambos, enquanto a pessoa com uma capacidade maior de percepção vai compreender, ajudar e não vai se sentir superior.

Pecado e doença são iguais, mas o que conta é como você reage a eles, e não qual é a palavra que você usa. Não importa a palavra você usa, ela será distorcida se a sua percepção interna for limitada. E quando a sua percepção interna atingir o seu maior potencial, de acordo com sua própria capacidade, então a palavra não será mal utilizada. Ou melhor, independentemente da palavra que você use, o sentimento será o correto.

(Palestra Pathwork #96 – Sessão de Perguntas & Respostas)

 

O mal é uma condição resultante da Queda do estado da Graça? E qual é a sua relação com Lucifer no Velho e no Novo Testamento? 

O Guia: Eu tenho discutido muitos fatores sobre o que constitui o mal. A palavra “graça” pode, é claro, ser interpretada de várias maneiras. A maneira que eu interpreto é de que a graça é o verdadeiro estado de Ser no qual todo o bem universal, todas as forças e poderes são a realidade de cada indivíduo.

Cair  da graça significa, nem mais nem menos, não saber mais essa verdade e, ao ignorar este fato, o indivíduo passa a procurar a solução e a salvação de uma forma distante, enquanto a verdade está presente todo o tempo.

A cegueira está em escolher o mais complicado e ignorar  a verdade, que é: tudo é seu; você não tem que implorar por nada; você não tem nem mesmo que lutar por nada. Tudo o que você tem que lutar é contra a sua própria cegueira e suas próprias distorções, que fazem com que você tenha medo da verdade e faça com que você se apegue à infelicidade e à inverdade. Isso seria a queda da graça. Uma vez que isso é claramente compreendido, muitos outros erros podem ser evitados.

Quanto à sua pergunta sobre os poderes luciféricos, a personificação e a alegoria do mal e tudo isso. Naturalmente que isso é inteiramente uma questão de compreensão e de nivel de consciência. A pessoa que ainda está profundamente envolvida com o estado de separação, o conceito dualista da vida, não pode conceber a unidade do Ser, o que quer dizer, em ultima instância, que tudo está no interior  do ser humano. Dessa forma, se o bem está no interior do ser humano , logo todo o mal que se manifesta na vida de alguém exteriormente, também habita o seu interior.

Quanto mais uma pessoa percorre o caminho do autoconhecimento, mais ela compreende esse fato. Por exemplo, você aprende gradualmente e, pouco a pouco, que o que lhe perturba exteriormente é realmente um reflexo de algo que está dentro de você. Sua dificuldade passa a ser essa agora pois, não importa o quanto você ouça ou leia essas palavras, você volta a esquecê-las, e volta a atribuir a miséria e os conflitos a fatores externos a si mesmo, a algo errado que está fora de você.

Nada poderia lhe perturbar, não importa o quanto isso pareça vir de fora. O exterior é apenas um reflexo ativado por seus próprios poderes correspondentes. O mesmo se aplica ao prazer. O ser humano é incapaz de compreender  que ele se separa do universo, da vida, da Criação, de eventos e experiências. Portanto, ele personaliza os fatores externos e lhes dá até mesmo um nome. Quanto mais uma pessoa se desenvolve, menos ela cairá nesta tentação e estará atenta às questões internas que estão manifestando esses fatos externos.

(Perguntas & Respostas #135)

 

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