Salvação. Esta Palavra! 

O que é a Salvação? 

O Guia: A interpretação tradicional desta palavra deixa muito a desejar. Ela se presta facilmente a mal-entendidos, ainda que os religiosos mais esclarecidos percebam realmente a Verdade nela contida.

Salvação significa, entre outras coisas, o perdão e a aceitação infinitos de Cristo. Significa que vocês podem sempre encontrar seu caminho até Deus, independentemente do que tiverem feito, do que seu Eu Inferior ainda deseja fazer. A porta está sempre aberta; vocês não ficam nunca, jamais fechados do lado de fora. Tudo o que precisam fazer é bater. Peçam o pão da misericórdia, amor, perdão e ajuda pessoal de Deus de todas as maneiras e vocês não receberão uma pedra. Peçam para conhecerem-se a si mesmos, sua amabilidade, sua nobreza de espírito, a beleza de seu verdadeiro ser através de Seu amor redentor por vocês e receberão. Isso é salvação, tudo isso e muito mais. O aspecto personalizado de Deus viabilizou isso. O Cristo encarnado tornou possível para todas as outras entidades encarnadas serem salvas de seu doloroso estado de inverdade (pecado) e da resultante destrutividade de si mesmo e dos outros.

Falemos agora sobre alguns aspectos da salvação que criam muita confusão e contradições entre a humanidade. Eu gostaria de apresentar três elementos que são, todos eles, uma parte necessária da salvação. Um não pode funcionar sem o outro. Agora me refiro a um aspecto específico da salvação, ou seja, a salvação da alma pessoal do homem. Como disse anteriormente, há outros aspectos da salvação que vão além disso. Repetindo, eles estão relacionados à possibilidade de cada entidade criada deixar para trás o estado de consciência que poderia ser chamado de inferno, ou vários estágios menos intensos dele: estados de consciência que refletem erro e, portanto, sofrimento, a roda da morte e do renascimento, com todos os seus medos agregados devido a uma ruptura na consciência. A demonstração de Cristo de amor supremo, perdão e misericórdia, de aceitação devido à profunda penetração de Sua visão na natureza última do homem, abriu todas as portas que antes estavam fechadas para este –não fechadas por Deus tê-lo punido e consequentemente trancado as portas, mas fechadas porque o homem estava profundamente imerso na convicção de que não podia ser perdoado e que, portanto, estava condenado a sofrer eternamente. Isso, por sua vez, o privou de todo seu incentivo de trabalhar em qualquer processo de auto-purificação. Onde não existe esperança, também falta vontade e incentivo. Por meio da vida e morte de Jesus uma nova modalidade foi criada na mente do homem, um novo modelo foi criado para permitir que os seres humanos optas-sem pelo caminho indicado pelo Mestre. Ele disse que Ele é o caminho, Ele é a verdade, Ele é a vida. Não era mais inútil tentar. O perdão de todos os pecados, de toda transgressão, já existe por-que Deus reconhece em termos muito mais profundos o motivo pelo qual vocês são movidos da maneira como são, porque precisam passar por seus pecados a fim de os reconhecerem pelo que são, de modo que um novo incentivo os incite à grande jornada na qual embarcaram aqui, neste caminho.

O aspecto pessoal da salvação parece contraditório para a mente que está impregnada do dualismo do ou/ou. Deixem-me citar esses três aspectos.

(1) Somente você próprio pode efetivar sua salvação. É sua responsabilidade.

(2) Não é possível para você fazê-lo sozinho. Precisa da ajuda de outros que compartilham a jornada com você, que com frequência podem ver o que você não enxerga.

(3) Sem Deus, sem a assistência pessoal do aspecto pessoal de Deus, a tarefa é vasta demais para ser cumprida.

Alguns dentre vocês podem ainda sentir uma confusão e perguntar: “Como pode ser que eu seja o único responsável por fazer isso eu mesmo, e ainda assim precisar de outros, assim como de Deus?”

Sim, é obviamente verdade que sua salvação é sua escolha, seu intento, sua responsabilidade, sua vontade, seu esforço — e, freqüentemente, o que aparenta ser um sacrifício. A princípio, lhe parece ser um grande sacrifício despender tempo e energia para assumir o trabalho que deve ser feito apenas por você. Às vezes, parece um sacrifício ainda maior abandonar um hábito que se origina em seu eu inferior e traz alguma gratificação por algum tempo, a fim de que prazeres mais elevados possam se enraizar em você. Ninguém mais, nem mesmo o Criador, pode forçar você a fazer aquilo que você não deseja ou escolhe. Isto iria diretamente contra toda lei espiritual cujo autor, afinal de contas, é Deus.

Entretanto, você está freqüentemente envolvido demais nas suas percepções errôneas de sua realidade, e cego demais quanto ao seu papel na sua interação com os outros para ser capaz de consertar percepções distorcidas. Você precisa do espelho dos outros. Você precisa estar aberto a eles. Você precisa aprender a abandonar seus fingimentos e, portanto, suas defesas em seus relacionamentos com eles. Você precisa se mostrar como você é, com toda a sua vulnerabilidade e total verdade interior. Isto, em si mesmo, já é uma parte integrante de sua jornada em direção à autorrealização. Você precisa aprender a receber, embora isso possa, primeiro, fazer você se sentir fraco e vulnerável, porque só, então, você poderá dar de si mesmo. Trabalhar com os outros e estar aberto para eles realiza a lei da fraternidade.

Quanto ao ponto três, como você poderia aprender a amar você mesmo sem ao menos conhecer e, finalmente, experienciar o amor de Deus por você? Como você pode ativar o poder de mudar aspectos involuntários que não respondem diretamente à sua vontade externa? Tanto a vontade exterior quanto aspectos exteriores que respondem aos comandos devem ser ativados pela dedicação ao caminho; pelas muitas decisões diárias de encarar a verdade em situações difíceis e confusas; pela escolha de obedecer à lei da fraternidade e superar a resistência inicial em mostrar-se como você é. Esteja consciente de que existe um ponto em que você lida com emoções, reações e mesmo crenças involuntárias que não respondem aos comandos conscientes, não importa quão sinceramente seu eu exterior deseja mudá-las.

Então, você precisa constantemente de ajuda dos poderes superiores para encontrar o caminho em direção àqueles níveis mais profundos e para efetuar uma mudança que sua própria mente sozinha não pode concretizar.

Tudo isto também lhe ensina a sabedoria para distinguir: quando o Self é o mestre e quando você precisa desesperadamente do Grande Mestre, sem o qual nada pode ser conseguido.

A rendição de sua vontade à vontade de Deus e a dedicação da sua vida, seus talentos e atributos ao grande plano divino não somente fazem com que você floresça em sua vida diária, mas são a chave para a unificação de sua divisão aonde você ainda se encontra separado entre crença e descrença; confiança e medo; ódio e amor; ignorância e sabedoria; separatividade e união; morte e vida eterna.

É um erro de compreensão pensar que qualquer ato, mesmo o maior ato de amor feito por Jesus, poderia ser o suficiente para que todos os seres humanos fossem liberados de suas obrigações internas. Aqueles que acreditam nisso, muitas vezes, o fazem porque é uma crença muito confortável. Claro que não poderia ser dessa forma e as palavras de Jesus nunca quiseram dizer isso.

O Plano de Salvação revela de que forma Jesus Cristo estabeleceu a salvação para todos os seres decaídos; o que significou a Sua contribuição; e como Ele abriu a porta e mostrou o caminho de volta à casa do Pai (o estado de unidade com Deus). Nunca foi ensinado de maneira implícita, tampouco explicitamente declarado que a vinda de Cristo isentaria cada um de nós do trabalho pessoal e de esforço. Muito pelo contrário: “Então, disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me.” (Mateus 16:24)

É bem provável que alguns alcancem a salvação (liberdade interior e libertação da ilusão) mesmo que não aceitem o Cristo. Isso, no entanto, não mudam os fatos de que Jesus Cristo é o mais elevado de todos os seres já criados; ele veio à Terra; e, sua vinda foi o ponto de virada no desenvolvimento geral dos espíritos decaídos.

Em outras palavras, uma pessoa pode iniciar seu caminho de autodesenvolvimento e ainda abrigar algumas idéias que não estão em conformidade com a Verdade, quer se trate desse assunto ou de qualquer outro. Ao mesmo tempo, a Verdade irá penetrar esta pessoa como resultado de uma experiência interior, e não por causa de uma aceitação que é fruto de uma imposição exterior, de uma doutrina ou de uma crença.

É igualmente possível que algumas pessoas acreditem e aceitem esta Verdade – ou qualquer outra – e, ainda assim,  mantenham obstruções  em suas almas que não permitirão alcançar a libertação. Essas pessoas agarram-se a certos (pré)conceitos de acordo com a sua educação, seu ambiente e seus equívocos internos pessoais ou imagens impressas na sua alma. São blocos de resistência interna no caminho para a Verdade.

O principal deve ser sempre e, acima de tudo, a purificação das emoções. A intenção correta é o que importa, e não o que uma pessoa aceita e acredita exteriormente. Saber porque e como uma crença surgiu, em que motivações interiores ela está baseada – é o que realmente importa, em última análise.

Este caminho que você está tomando traz à tona todos as suas motivações distorcidas, não importa quão profundamente ocultas e inconscientes elas sejam. Desse modo, a sua alma se tornará saudável e livre. Por sua vez, isso irá lhe permitir vivenciar a Verdade que você precisa conhecer e saber, em vez de aceitá-la apenas com o seu intelecto.

E é assim que a Verdade de Jesus Cristo acabará por se tornar parte da experiência interior de todos aqueles que desenvolvem suas almas. Para alguns, essa verdade vem mais cedo e outras verdades virão mais tarde. Para outras pessoas, é o contrário. Mas dizer: “Você tem que aceitar Jesus Cristo” é tão errado quanto dizer: “Você tem que acreditar em Deus.”

Isso só cria reações prejudiciais, tais como compulsão, culpa, resistência ou rebelião.

A fé em Deus, a fé em Cristo, a fé em si mesma, é a chave principal. Mas ela não pode ser forçada. A fé chega naturalmente quando os obstáculos internos são removidos. Todos os seres humanos possuem uma fonte interior onde encontra-se a fé, o amor, a verdade, a sabedoria – que está obstruida por causa de bloqueios e falhas. Todos esses atributos divinos são liberados automaticamente na medida em que os desvios internos se endireitam através do trabalho de autodesenvolvimento.

Isso sempre acontece como um efeito. É um desenvolvimento natural que nunca pode ser forçado diretamente. Quando seus mestres religiosos terrenos martelam que você precisam ter fé, eles não alcançam coisa alguma. Na melhor das hipóteses, você terá uma falsa fé, sobreposta. E quanto mais forte a superposição, mais forte se torna a rebelião interior, inconsciente, contra a própria fé sobreposta – adotada apenas porque isso foi esperado e exigido de você.

Acontece o mesmo com o amor. Você não pode se forçar a amar. Mas neste trabalho interior profundo, você acabará por aprender e compreender porque você não tem fé ou não ama; e que as suas crenças internas erradas fazem com que você mesmo feche a porta – na maioria dos casos, inconscientemente – para a fonte de água viva interna, plena de fé e amor.

(Palestra do Guia Pathwork #258)

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