O Plano de Salvação

Como Jesus Cristo salvou a humanidade?  De que forma o feito Dele foi o maior? Qual era o objetivo de Sua vida na Terra, de Sua única encarnação? Qual é o plano de salvação?

O Guia: O objetivo de Sua vida não era apenas disseminar Seus ensinamentos. Por mais verdadeira e bela que fosse a Sua doutrina, esses preceitos também podem ser encontrados em outras fontes – talvez sob outra forma mas, essencialmente, iguais. Portanto, sem dúvida esse não foi Seu único objetivo.

O segundo objetivo de Sua vida mas, ainda assim, não era o principal e mais importante, foi que através de Sua vida e morte Ele mostrou simbolicamente qual deve ser o curso do desenvolvimento, ou as etapas do desenvolvimento para cada ser humano. O que deve fazer todo aquele que quiser reconquistar o Reino dos Céus. Testes, provações, permanecer fiel a Deus em tempos de adversidade, a crucificação do ego pessoal com toda a sua vaidade e voluntarismo – isso foi simbolizado pelo sofrimento e morte do corpo de Jesus. E a ressurreição do Seu Espírito significa a vida eterna de contentamento e felicidade do ser espiritual de cada pessoa, depois que o ego foi crucificado.  E isso não pode acontecer senão pela dor.

Mas mesmo essa parte da Sua tarefa não era, como eu disse, a principal e a mais importante. As duas tarefas aqui mencionadas podem ser consideradas linhas paralelas ou propósitos que acompanhavam o objetivo principal que Jesus precisava cumprir.

(Palestra do Guia Pathwork #19)

Gostaria de falar agora sobre a salvação de Jesus Cristo e seu verdadeiro significado. Na verdade, existem poucas pessoas que entendem plenamente o significado dessa salvação, e não são as igrejas organizadas que, em grande parte, não entendem em absoluto o que seja a salvação.

Muitas pessoas acreditam que Cristo morreu na cruz pelos pecados de todos e que, portanto, ninguém é responsável ou deve prestar contas por seus pecados, falhas, fraquezas, etc., pois a morte de Cristo expiou a todos.  É claro que isso, meus amigos, não pode ser. Não teria o menor sentido. Depois da explicação da verdadeira história da salvação, vocês irão compreender que esse é um equívoco muito cômodo. Também irão entender claramente como esse engano surgiu.

Eu também disse que a salvação não ocorreu apenas na esfera terrestre, mas em todas as esferas existentes. Muito antes de existir esta Terra, e depois da chamada “Queda dos Anjos”, a qual expliquei em detalhes anteriormente, o plano de Deus era, em síntese, fazer com que todos os seres decaídos tivessem os meios de retornar para Ele, para a luz e para a harmonia.

Mas isso só poderia ser feito se as leis de Deus nunca fossem quebradas, nem mesmo com a finalidade de trazer de volta as criaturas decaídas.  Essa era de fato uma tarefa muito difícil de executar.

Também expliquei que todo ser criado por Deus foi criado perfeito sob um aspecto. Todo ser representava um aspecto divino. A finalidade era que, com o poder de que esses espíritos eram dotados, eles mesmos estendessem essa perfeição a outros reinos. Vamos dizer, por exemplo, que um ser era perfeito em amor, outro em sabedoria, e assim por diante.

A meta era nos tornar perfeitos em todos os outros aspectos, chegando, em algum momento, a ser como Deus. Assim, outros mundos de beleza passariam a existir – mundos espirituais. Como vocês sabem, todo pensamento, todo sentimento, toda ambição, todo ato é forma em espírito, e assim cria-se um mundo.

Vocês também sabem que muitos espíritos usaram esse poder divino para essa finalidade.  E outros espíritos usaram o poder divino da maneira oposta, e por isso houve a queda.

Depois da queda,  Cristo que, naturalmente, existia em espírito muito antes de nascer como homem, organizou, se é que posso usar esse termo, todos os espíritos do mundo de Deus, para usar toda a perfeição deles, em sua área particular, para ajudar nesse plano da salvação.

Em outras palavras, os espíritos puros, em vez de continuarem e ampliarem sua própria perfeição, adiaram essa meta final com a finalidade de usar seu poder para arquitetar e trabalhar no plano da salvação – desse plano e de todos os outros. Estou falando ainda, é claro, das esferas divinas.

Nas esferas da escuridão foi preciso passar algum tempo antes de se poder fazer alguma coisa. Um número suficiente de espíritos precisava ter algum anseio pela luz para que mundos mais iluminados, ainda no reino de Lúcifer, passassem a existir. Sem esse anseio por parte das criaturas decaídas, por mais inconscientes e cegas que estivessem, nada poderia ser feito, não importa o que tivesse sido arquitetado pelo mundo de Deus.

Na linguagem de vocês, passaram-se milhões e milhões de anos até que, por causa desse anseio que começou a surgir nos corações daqueles que caíram, esta esfera terrestre começou a existir. E quanto mais almas vinheram viver na Terra, porque estavam prontas para isso, por menor que fosse seu desenvolvimento, tanto mais avançava o desenvolvimento geral e individual. Pelo simples fato de viverem no plano terrestre,  elas entravam em contato, pela primeira vez depois da queda, com algo divino, por mais que essa manifestação fosse, na maior parte, moderada.

Nesse meio tempo, Cristo estava ocupado preparando e trabalhando no mundo espiritual de Deus, planejando e enviando vários espíritos puros para viver na Terra. Ele organizava os ensinamentos que deveriam ser trazidos à humanidade por esses espíritos puros, agora encarnados, ou através de inspiração e orientação, e ainda, através de comunicações diretas com o mundo de Deus pela mediunidade.

Vocês não podem imaginar com que minúcia tudo precisava ser pensado, como esse trabalho foi meticuloso para que tudo estivesse de acordo com as divinas leis da justiça.

Naquela época, por mais que um ser humano estivesse espiritualmente desenvolvido, ao voltar para o Além ele continuava sob o domínio de Lúcifer. Como já disse anteriormente, todo aspecto divino se transformou em sua qualidade oposta. Portanto, o livro arbítrio, que é divino, se transformou em domínio. E, naturalmente, Lúcifer não queria abrir mão do domínio que exercia sobre seus seguidores.

Se, por exemplo, um ser humano, por causa da mudança de suas atitudes e da crescente harmonia com Deus, começasse a produzir luz e belas esferas no mundo espiritual, essas esferas continuavam pertencendo ao reino de Lúcifer, pois este não renunciava ao poder que tinha sobre aquela pessoa.

De qualquer modo, naquela época, ninguém estava tão desenvolvido ao ponto de produzir esferas de luz. O fato é que as pessoas produziam e possuíam várias esferas, por assim dizer, harmônicas e desarmônicas.

Isso também acontece atualmente com cada um de vocês e com todos os seres humanos. Sempre que há falhas, fraquezas, cegueira, são criadas esferas correspondentes. Sempre que vocês são puros e purificados, vocês criam esferas bonitas. E vocês possuem as melhores, mas também as piores esferas que criaram.

Assim, qualquer ser humano relativamente desenvolvido poderia ter diversas esferas de luz mas, mesmo essas esferas continuariam sob o domínio de Lúcifer enquanto o trabalho de salvação não estivesse sido completado por Jesus. Aliás, os chamados infernos não constituem em apenas uma esfera de total escuridão e aflição pois,  assim como há muitas gradações nas esferas divinas, ocorre a mesma coisa nas esferas de Lúcifer.

Quando um número suficiente de seres encontravam-se prontos, cientes de Deus e conscientemente desejosos da união total com a Divindade, era chegado o tempo de executar a parte mais importante do plano de salvação, que Cristo tomou sob Sua responsabilidade.

A razão não era apenas Seu infinito amor e compaixão por todos os Seus irmãos e irmãs decaídos.

Durante o processo da queda, o primeiro espírito decaído, Lúcifer, passou a ter uma enorme inveja de Cristo. Assim, era lógico que o próprio Cristo provasse Seu amor e Seu grande sacrifício, não apenas para com todas as outras criaturas, mas para com o próprio Lúcifer, que através desse feito poderia um dia, num futuro longínquo, descobrir a possibilidade de retornar para Deus e para a felicidade eterna.

Deus fez de Cristo o rei do universo e, como tal, Ele está pronto não apenas para viver os maiores privilégios, mas também, para as maiores responsabilidades. Ao suportar a mais pesada carga juntamente com a posição mais exaltada, Ele deu outro exemplo ao mundo.

Assim, quando chegou o tempo, Ele enfrentou Lúcifer.

Agora, meus amigos, peço que vocês não duvidem disso porque lhes parece humano demais. Todos vocês já sabem que os seres, não apenas como sujeitos ou objetos, tanto em idéias abstratas quanto concretas, mas também em qualquer espécie de forma, são apenas uma imitação limitada daquilo que existe em espírito antes desse mundo material, só que em muito maior variedade.

Muitas vezes os seres humanos pensam, quando mencionamos essas coisas ou que espíritos tem determinados objetos, etc.,  que isso é humano demais, concreto demais. No entanto, em espírito, como eu já disse muitas vezes, tudo é concreto!  Tudo é forma! Enquanto que, no mundo de vocês apenas os objetos materiais têm forma e as chamadas “coisas abstratas” não têm forma, pois são invisíveis para vocês. Em espírito não é assim. O amor é uma forma. Quando vocês têm um pensamento bonito, ele cria uma forma. Quando vocês têm um pensamento maldoso, ele cria outra forma – para nós, uma forma concreta.

E, portanto, eu peço que vocês tenham isso em mente e não pensem nisso como algo infantil, pois Lúcifer e Cristo não conversariam entre si como dois seres humanos. Pode não ser exatamente da mesma maneira que quando dois seres humanos conversam; o procedimento é diferente. É um procedimento espiritual.  Naturalmente, é impossível traduzir em linguagem humana. Portanto, a linguagem que usei é necessariamente limitada ao entendimento de vocês.

Retomando o fio, Cristo enfrentou Lúcifer e lhe disse: “Existe uma certa quantidade de espíritos que não querem mais continuar fiel a você. Eles querem retornar para Deus. Portanto, você precisa libertá-los.”  Lúcifer não concordou . Ele insistiu que não queria reconhecer a lei divina e usaria seu poder conforme quisesse.

Cristo disse: “Nesse caso, haverá uma guerra entre nós, entre as suas forças e as forças do mundo divino.”  Mas as chances deveriam ser iguais e isso significa, como já foi dito, que as forças divinas deveriam ser numericamente inferiores, pelo simples motivo que as forças do bem são infinitamente mais fortes do que as do mal, talvez na proporção de vinte para um.  Se um ser totalmente purificado lutar contra 20 seres muito impuros, a força do puro sobrepuja a força dos 20 impuros.

Mas Lúcifer disse: “Mesmo que esta guerra aconteça e mesmo que as forças divinas vençam e tirem meus poderes, não vou reconhecer que a lei de Deus é justa.” E como vocês sabem pelas minhas palestras anteriores, essa era uma parte essencial do plano da salvação, pois ninguém deveria ficar eternamente perdido, nem o próprio Lúcifer.  E para que a perdição eterna nunca fosse uma realidade, o próprio Lúcifer precisaria admitir a justiça absoluta das leis divinas.

Então, Cristo lhe perguntou: “ De que maneira você consideraria os poderes divinos justos?”

E Lúcifer lhe respondeu: “”Eu lutaria  essa guerra se, um ser – do mundo de Deus, se você quiser – vivesse na Terra como um homem, sem qualquer proteção ou orientação do mundo de Deus em momentos cruciais, com  grande parte do  seu conhecimento obscurecido, com a força da matéria no seu caminho e, ainda assim, permanecesse fiel a Deus, apesar de minhas tentações, sujeito às condições dificilimas e às maiores dificuldades e aflições. Eu oferecerei a essa pessoa todo o poder mundano possível e a livrarei de todas as dificuldades se ela trair Deus. Se ainda assim, ela permanecer fiel a Deus nessas condições – coisa de que duvido muito; na verdade, acho impossível – aí, eu travarei uma batalha com você e reconhecerei a total justiça das leis de Deus.”

Vocês precisam saber, meus amigos, que todo ser humano tem sempre anjos de guarda do mundo de Deus.  Às vezes, eles não conseguem chegar muito perto de algumas pessoas por causa da atitude delas mas, mesmo assim, estão lá, mesmo que em segundo plano, e vigiam para que nada aconteça a seu protegido que não esteja de acordo com as leis da justiça de Deus ou que aquela pessoa seja fraca demais para suportar.

Ser deixado sozinho nesta esfera terrena sem o apoio dos espíritos do mundo de Deus e, ainda por cima, precisando resistir a todo tipo de ataques, desafios, dificuldades e tentações imaginados pelos poderes da escuridão seria uma tarefa difícil de executar. E nenhum ser humano jamais precisou passar por nada como isso, nem no menor grau.

Assim, Cristo não pode ser comparado com nenhuma outra pessoa que já viveu, por mais pura que tenha sido, por mais maravilhosos que tenham sido seus ensinamentos. Cristo mostrou, através de atos, o que outros ensinaram, e isso em circunstâncias infinitamente mais difíceis do que qualquer um tenha enfrentado!

Essas foram as condições impostas por Lúcifer para reconhecer a justiça das leis de Deus. Se essa tarefa, aparentemente impossível, fosse de fato cumprida, a batalha poderia  ocorrer; e se ele perdesse a batalha, Cristo poderia expor Seus termos e ele, Lúcifer, não duvidaria da justiça de Deus em nenhum aspecto.

Esse era o plano. E Cristo assumiu a tarefa, embora Lúcifer não tivesse especificado que precisaria ser Ele.

Meus amigos, se vocês estudarem as Escrituras desse ponto de vista, vão entendê-las sob um novo ângulo, totalmente diferente. Tenho certeza de que a razão da vida e morte de Cristo fará sentido para vocês, pois não faria nenhum sentido Ele morrer na cruz pelos pecados que outros cometeram. Pois se vocês cometeram um pecado, vocês mesmo têm de repará-lo, e ninguém mais pode ou deve fazer isso em seu lugar! Se outra pessoa fizesse isso por vocês, não haveria purificação. Vocês não teriam a força que adquirem no processo da autopurificação, que os impede de cometer outros pecados. Enquanto a raiz do mal não é arrancada, ela continua a produzir frutos impuros. E cada um precisa arrancar as suas proprias raízes do mal. Portanto, “pagar pelos nossos pecados” não foi o motivo de Cristo  sofrer e morrer.

Vocês também vão entender por que Ele ficou totalmente sozinho durante um longo tempo. Naturalmente, como homem, Ele não tinha o mesmo conhecimento que tinha como Espírito. Se Ele tivesse o mesmo conhecimento, a tarefa não teria sido assim tão difícil.

É claro que, como o mais elevado ser da criação, Ele tinha algum conhecimento – e muita força espiritual e sabedoria. Mas não haveria propósito algum em viver na Terra se – e isso se aplica a todos vocês – o mesmo conhecimento espiritual estivesse disponível quando alguém encontra-se desencarnado.

Portanto, o homem Jesus não sabia exatamente o que envolveria a Sua vida na Terra.  No decorrer dos anos, Ele recebeu algum conhecimento. Ele também tinha uma idéia intuitiva, como qualquer um de vocês tem uma vaga idéia – “tenho uma tarefa a cumprir” – mas o que pode resultar dela, qual será o desfecho, qual é o significado exato, vocês não sabem. E Ele também não sabia,  e não deveria saber enquanto estivesse encarnado.

Depois de um certo tempo, todos os anjos de Deus precisaram deixá-LO.  Estiveram com Ele durante algum tempo de Sua vida, mas não quando começou a parte da tarefa considerada realmente difícil.

Eu também já expliquei a vocês que os ensinamentos que Ele trouxe eram importantes e maravilhosos, mas essa foi uma faceta adicional de Sua vida. Era uma linha paralela, por assim dizer. Sempre que alguma coisa acontece em estrito acordo com a vontade de Deus, não existe meramente uma boa razão e propósito, mas há muitos fatores em jogo, muitos bons propósitos a serem cumpridos com um só ato divino. Isso também se aplica a todas as pessoas.

Mas trazer os ensinamentos não eram a Sua razão de viver como um homem. Belos como são, os ensinamentos não eram novos. Outras pessoas, anteriormente, haviam transmitido essencialmente os mesmos ensinamentos. Ele adaptou esses ensinamentos para Sua época e cultura, levando em consideração o permanente desenvolvimento da humanidade, mas isso foi tudo.

Como já expliquei, a tarefa era que Ele, totalmente sozinho, totalmente separado do mundo de Deus, precisava resistir às tentações de Lúcifer, que se dedicou com o maior empenho possível ao esforço de fazer o Cristo cair. Ele recorreu a todas as artimanhas, organizou todos os seus ajudantes e acreditem, meus amigos, apesar de certamente carecer de sabedoria e iluminação, Lúcifer não é estúpido e dispõe de grandes recursos com seus poderes sombrios.

Se por um lado, Cristo passou por grandes sofrimentos – psicológico e moral – e humilhações que vocês não podem sequer imaginar. E a humilhação e o sofrimento psicológico eram muito piores do que o sofrimento físico – que já era imenso! Por outro lado, Ele também foi submetido a todas as tentações do mundo da escuridão.

Naturalmente, Cristo era o que vocês chamam  de “psíquico” no seu maior grau. Suas qualidades mediúnicas eram muito mais fortes – não apenas em uma área, mas em todas – do que as de qualquer outra pessoa que viveu antes ou depois Dele. Isso era uma vantagem enquanto o mundo de Deus pôde permanecer próximo d’Ele, mas quando a ligação foi cortada, não passava de mais uma dificuldade, pois todas as manifestações que vinham até Ele se originavam do mundo da escuridão.

Pela clarividência, Ele entrou em contato primeiramente com altos emissários do mundo de Lúcifer e, mais tarde, com Lúcifer em pessoa, que se mostrou como um belo ser que ofereceu a Ele todas as vantagens terrenas que Ele poderia desejar  e a liberação imediata de todos os sofrimentos, caso Jesus aceitasse Lúcifer e desistisse de Sua fidelidade a Deus.

Lúcifer escarneceu d’Ele nos piores momentos de sofrimento: “Onde está o Seu Deus de amor e justiça? Se Ele existisse,  permitiria que Seu amado filho passasse por tudo isso? Se o Seu Deus não tem mais a oferecer, você não estaria melhor comigo? Veja o que tenho a Lhe oferecer. O Seu Deus só pode oferecer a você sofrimento intenso e toda espécie de dificuldades”, e assim por diante.

Vocês conseguem imaginar o que isso significava? Se Jesus soubesse o significado exato de Sua tarefa, não teria sido tão difícil resistir. Mas não devia ser assim. Por outro lado, ter dúvidas sérias nesses momentos cruciais, dúvidas sobre tudo—Sua verdadeira identidade, que havia algum propósito sábio e bom em todas as Suas dificuldades que Ele não conseguia entender no momento e, em resumo, sobre tudo que Ele havia aprendido nos anos anteriores—era inevitável.

Muitas vezes Ele se perguntava se não estava iludido, se todo o seu conhecimento prévio não era produto da imaginação, etc. E Lúcifer ia imediatamente para o lado d’Ele nessas ocasiões, e reforçava esses pensamentos.

Como Ele era homem, como havia matéria entre Ele e a verdade absoluta, é fácil perceber como era extremamente difícil para Ele permanecer fiel a Deus e não ceder. Se as condições de Sua tarefa não fossem tais que até Ele duvidava, às vezes, a tarefa não teria sido tão infinitamente magnífica!

Portanto, Cristo precisava ter os mesmos obstáculos da matéria que qualquer outro ser humano, porém intensificados ao máximo! A substância material é uma cortina, e o homem precisa ir tateando para abrir essa cortina. Jesus Cristo precisou fazer isso, apenas em condições de extrema dificuldade, que, mesmo com essas explicações, vocês não têm condições sequer de imaginar nem vagamente.

Continuar no caminho certo nessas circunstâncias sem entender totalmente—meus amigos, vocês não podem saber o que isso significa. E ter a humildade de colocar Deus, apesar dessas dúvidas passageiras, acima de tudo, mesmo acima de Seu sofrimento e acima do Seu não entendimento da razão, essa era a tarefa. E na verdade parecia quase impossível que alguém pudesse executá-la. Mas Jesus Cristo conseguiu!

Com isso, Cristo havia satisfeito as condições segundo as quais o mundo da escuridão jamais poderia, em nenhum momento, alegar que as leis de Deus não eram justas, e ao mesmo tempo Ele deu um exemplo para todos os que nasceram depois d’Ele, meus amigos!

Portanto, quando vocês estiverem sofrendo e não entenderem o motivo, pensem em Jesus Cristo e na verdadeira história da salvação, e se conseguirem imaginar Seu sofrimento como algo real, não como uma lenda, mas tão reais como os seus próprios sofrimentos – só que muito piores – talvez, então seja muito mais fácil vocês seguirem os passos d’Ele, seguirem o caminho d’Ele e continuarem humildes e deixarem Deus assumir, em tudo no que diz respeito à vida de vocês.

Depois que Cristo cumpriu a missão na esfera terrena – eu poderia falar horas e horas sobre Sua vida na Terra, meus amigos, sobre Seus sofrimentos, Sua morte, mas talvez, se vocês lerem a Bíblia agora, possam imaginar melhor a profunda importância e realidade de tudo isso.

Imediatamente após a Sua morte, diversas coisas ocorreram na Terra: os chamados “milagres”  que deviam mostrar à humanidade que havia acabado uma grande fase da história da Criação e uma nova grande fase estava sendo iniciada.

Depois de Sua morte física, Jesus Cristo voltou ao mundo dos espíritos. E tendo satisfeito as condições impostas por Lúcifer, o Cristo, com um número relativamente pequeno de espíritos especializados, travou uma batalha espiritual no mundo da escuridão.

Isso também, meus amigos, pode parecer muito humano, os espíritos travarem guerras. De onde vocês acham que vem as guerras?  Elas são apenas um reflexo da guerra espiritual.

É claro que a guerra espiritual não acontece exatamente da mesma maneira que a guerra material na Terra, mas a essência espiritual está lá. Também é impossível descrever como ela acontece, porque falta a vocês a percepção e o entendimento, e eu não consigo me expressar em linguagem humana. Só posso dizer, de maneira resumida que pode parecer simbólica, e é simbólica até certo ponto, ocorreu uma guerra entre Cristo e Lúcifer.

Vocês precisam usar a imaginação, a visão interior para não entenderem essas palavras literalmente, como se fosse uma guerra com armas ou lanças ou o que for, exatamente como é na Terra.  É claro que não foi assim; mas de qualquer forma, houve uma guerra espiritual.

Lúcifer precisou admitir a justiça Divina pois, como eu disse antes, Cristo lutou em condições de igualdade. Ele poderia não correr nenhum risco e usar mais força, mais ajudantes, vamos dizer; mas Ele não o fez, pelo mesmo motivo que aceitou viver na Terra – para preservar a justiça de Deus até aos olhos de Lúcifer.

As chances eram iguais, e isso era tão evidente que nem mesmo Lúcifer poderia negar.   Isso era muito importante, pois como eu disse o plano era que, num futuro muito, muito distante, impossível de contar pelo sistema de vocês, o próprio Lúcifer precisará chegar ao ponto em que el etambém vai retornar para Deus, como a última das criaturas decaídas, assim como ele foi o primeiro a revoltar-se contra as leis de Deus.

Assim, vocês veem que Jesus Cristo cumpriu o plano da salvação em todas as esferas. A tarefa foi diferente em cada esfera onde foram feitos os muitos preparativos: no mundo de Deus, nessa esfera terrestre e no mundo da escuridão. Terminada a batalha, foram estipuladas as novas condições que vigoram desde a época posterior à vida e à morte de Cristo na Terra e Sua batalha com Lúcifer.

Na história de vocês pode-se ler que, ao terceiro dia, Cristo subiu aos céus, depois de descer aos infernos. Cada um desses detalhes que foram conservados são, de certa maneira, uma confirmação do que ocorreu, embora o elemento tempo nem sempre seja preciso. O tempo é sempre “traduzido”, por assim dizer, pois em espírito,  o tempo – se existe isso – é individual, psicológico e muito diferente. Mas não importa, a humanidade transformou esses três dias em um símbolo.

E as novas condições impostas a Lúcifer são; a) todo ser humano pode usar seu livre arbítrio para voltar-se para Deus durante seu desenvolvimento na Terra; b) Lúcifer tem o direito de tentar o ser humano para procurar subjugá-lo, na medida em que ele sucumbir à sua natureza inferior, mas uma pessoa pode e deve resistir. Não deve ser mais um súdito do mundo de Lúcifer, porque Jesus abriu a porta para que todo ser humano possa se unir ao Criador e habitar novamente os mundos divinos.

Até as armadilhas e tentações que Lúcifer pode usar, daquela época em diante, foram limitadas e estão de acordo com a Lei Divina. O mundo espiritual de Deus passou a ter o direito de interferir para que essas leis divinas sejam observadas estritamente, para que as atividades dos poderes da escuridão sejam limitadas e, em última análise, fiquem sob a jurisdição de Deus.

Porém, foi necessário que Lúcifer conservasse algum grau de liberdade, não só pela razão que agora lhes expliquei, de que ele precisa reconhecer a justiça divina mas, também, como um meio necessário de desenvolvimento. Pois o mal precisa ser provado até o fim, em muitos casos, antes de poder ser superado em função do livre arbítrio e da iniciativa de cada ser. O desejo de superar precisa crescer através da iluminação cada vez maior da alma de cada um, e isso, infelizmente, muitas vezes só é possível depois de passar pela escuridão.

Nem é preciso dizer que essa iluminação não pode sobrevir em uma só vida! Atingir a perfeição necessária para entrar no reino de Deus—a perfeição perdida na queda—desvencilhar-se de toda a escuridão que se abateu sobre a alma, isso nunca pode ser feito em uma só vida. Portanto, são necessárias muitas, muitas vidas ou encarnações.

A vida nesta Terra é como uma escola, onde o desenvolvimento ocorre de um ano para outro. Às vezes vocês repetem de ano, e depois podem ter uma ou várias encarnações sucessivas em que o aproveitamento é muito grande.

Os seres humanos, encarnados a partir do mundo da escuridão tem, a princípio, instintos muito baixos e rudes, e somente depois de muitas encarnações trasnformam os carmas. Muitas vezes, depois de um certo sofrimento e muita influência divina, a atitude começa a mudar, devagar, mas firmemente.

Somente quando os sentidos começam a ficar um pouco mais apurados é que se inicia o verdadeiro trabalho de encontrar e purificar a si mesmo. Para essa fase são necessárias muitas encarnações, sempre em novas condições e circunstâncias.

Mesmo nessa fase secundária, muitos seres ainda não têm forças para encontrar Deus. Ainda existe muito do eu inferior presente para não sucumbir às influências do mundo de Lúcifer, quer essa influência venha na forma de inspiração direta ou através de instrumentos humanos inconscientes e negligentes.

Assim, são necessárias muitas vidas para despertar o suficiente para fortalecer a vontade, para a importantíssima finalidade da autopurificação. Somente então vem outra fase na qual começa, de maneira muito gradual, esse processo de purificação. Em cada vida são preparadas as condições para que um determinado aspecto do eu inferior tenha a oportunidade de se aperfeiçoar ao máximo.

Vocês vêem, não pode ser de nenhuma outra maneira, pois seria impossível atingir, em uma só vida, a perfeição necessária para entrar no reino de Deus para sempre. Em cada vida, mesmo na pior das hipóteses, alguma coisa é conquistada, mesmo que só possa ser totalmente explorada posteriormente, num período em que o ser humano finalmente possa declarar: “Meu caminho leva a Deus. Não ouvirei o que diz meu eu inferior.”  O eu inferior está constantemente, magneticamente em contato com o mundo da escuridão, assim como o eu superior—que está mais em segundo plano e é muito mais difícil de atingir ou alcançar através de todas as camadas de imperfeição—está em constante contato com o mundo divino.

A personalidade exterior, com a força de vontade, com a capacidade de decidir por um rumo ou outro, tem os meios de, um dia, dar o passo decisivo: “Declaro-me do lado de Deus, do lado do eu superior e tudo que isso acarreta”, deixando de lado a preguiça, o conforto, o caminho da menor resistência e a entrega às próprias falhas.

Quer essas falhas sejam assassinato, roubo, perversão, ou sejam agora apenas egoísmo, ciúme, inveja, ressentimento, preguiça ou o que for, não faz diferença, em princípio. Qualquer pessoa que declare, decida e mantenha a decisão de seguir o caminho que leva a Deus, desde a salvação de Cristo, não pode permanecer como súdito do mundo de Lúcifer. Ele não tem mais poder algum sobre nenhum ser que tome esta decisão, seja na Terra ou no mundo espiritual.

Foi assim que Jesus, o Cristo, abriu a porta. E com isso, vocês também podem entender porque lhes foi dito que o Cristo salvou vocês de seus pecados. Isso só está correto se for compreendido no sentido de que o grande pecado foi a queda; foi não permanecer fiel a Deus e tornar-se parte desse mundo de escuridão. Depois da vinda do Cristo à Terra como homem, o pecado da queda deixou de ter como conseqüência a exclusão eterna dos mundos divinos.

Cristo salvou vocês disso e, por isso, vocês certamente têm todos os motivos do mundo para serem gratos a Ele. Através d’Ele vocês têm agora a possibilidade, por seus próprios esforços e desenvolvimento, de atravessar o limiar. Nesse sentido, está correto. Mas a interpretação de que Cristo morreu por todos os seus pecados e faltas é incorreta.

Essa é, muito sucintamente, a história da criação do universo, da queda, da criação desta esfera terrestre, e da salvação através de Jesus Cristo.

(Palestra do Guia Pathwork #22)

 

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