Livre Arbítrio

Você pode explicar como o conceito de livre-arbítrio se encaixa nisso tudo?

O Guia: Como o livre-arbítrio é um dos aspectos divinos mais importantes, na queda dos anjos, ele se transformou em seu oposto. O primeiro espírito a sucumbir à tentação de abusar desse poder, muitas vezes denominado Lúcifer (Satanás, ou simplesmente, o Diabo), influenciou outros a segui-lo. Ele foi, portanto, o primeiro a habitar o novo mundo que veio à existência.

Este  espírito  tinha total poder sobre os seus seguidores e, ao contrário de Deus, usava esse poder. Deus dá a liberdade de escolha, e isso tem mais importância do que a maioria de vocês percebe. Com essa liberdade, existe necessariamente a possibilidade de abusar do poder, de usá-lo contrariamente às leis divinas.

Não pode haver felicidade divina, na verdade, você não pode vivenciar os seus atributos divinos, se não puder alcança-los ou mantê-los através da livre escolha. Da mesma forma, o oposto de Deus e Suas leis é, naturalmente, a proibição dessa livre escolha e o domínio dos mais fracos pelos mais fortes.

Esse estado de coisas parecia insolúvel no que diz respeito à salvação dos seres decaídos. Pois, mesmo que esses espiritos chegassem ao ponto de desejar retornar para Deus, não teriam o poder para fazê-lo, pois estavam sob o domínio daquele que reina no mundo da escuridão.

Por um lado, como poderia Deus não quebrar Suas próprias leis e salvar os seres que ansiavam por Ele? Se Ele usasse seu poder infinito, passando por cima do livre arbítrio e da opção daqueles que decidiram usar o poder concedido a seu próprio modo, na verdade Ele agiria, em princípio, como Lúcifer.

Aqui, mais do que em tudo o mais, era da máxima importância manter o princípio divino.  Permanecer fiel a Si mesmo e a Suas leis representava a diferença fundamental entre a maneira de Deus e a maneira de Lúcifer.

Como, de acordo com o plano de Deus, toda criatura deve em algum momento voltar a Ele, por livre escolha, e reconhecer e reconquistar a divindade, era imperioso que Ele não usasse os mesmos meios de força que Seu adversário, mesmo que o fim fosse bom.  Não é só o fim o que importa, os meios também importam!

Somente a fidelidade a esses princípios poderia permitir ao mais teimoso dos seres caídos, um dia, enxergar a enorme diferença entre as duas posturas e a dignidade desses princípios divinos, mesmo que isso significasse um caminho de sofrimento para aqueles que desejassem sair dessas circunstâncias penosas, criadas por eles mesmos.

Como a vida espiritual tem relação direta com a harmonia interior, a iluminação e a atitude geral, os espíritos que haviam se tornado desarmônicos não podiam simplesmente ser “colocados” num mundo de harmonia, como se viaja para um belo país.  Em termos de espírito, o país é você, é o seu produto.

Portanto, os espíritos caíram precisavam e precisam atingir um estado em que, naturalmente, produzissem outra vez mundos harmoniosos.  É natural que isso só pode ser conseguido através do mesmo processo lento de desenvolvimento que caracterizou a queda e sua degeneração.  E também precisa acontecer por livre escolha, como agora vocês já entendem, de modo que perguntas como “por que Deus não eliminou o mal?”, etc., não são mais cogitadas por vocês.

Por outro lado, era preciso encontrar meios para que as criaturas que quisessem voltar para Deus e manter Suas leis, e não as leis de Lúcifer, pudessem fazê-lo no âmbito das leis de Deus, segundo as quais não se deve limitar o livre arbítrio de ninguém, nem do próprio Lúcifer. E esse é o grande plano de salvação, no qual Cristo desempenhou o maior papel.

Como se iniciou a nossa jornada no planeta Terra? 

O Guia: Essas esferas de escuridão passaram a existir quando os espíritos viviam sob o domínio de Lúcifer. A princípio, não havia nenhum anseio, nenhuma sensação da luz que eles haviam possuído um dia. Somente depois de provar bastante o “remédio” que haviam escolhido, com toda a sua desolação, é que começou a brotar em alguns daqueles seres um vago anseio por outra coisa, que eles não sabiam bem o que era.

Nem é preciso dizer que a memória de Deus e Seus mundos havia se extinguido na medida em que a desarmonia foi se instalado, mas a lembrança ressurgiu quando a atitude mudou, porém essa mudança só poderia ser extremamente lenta. A escuridão espiritual anula o conhecimento, pois a luz espiritual é o conhecimento.

Assim como acontece com os seres humanos, se vocês não têm iluminação espiritual, precisam trabalhar espiritualmente para reconquistar alguns vislumbres de luz. O vago anseio que a princípio algumas, e mais tarde mais criaturas sentiram foi suficiente para trazer um raio de luz àquele mundo, como se uma aurora distante mudasse um pouco seus contornos. O frio já não era tão frio; o fogo já não era tão quente; a imundície não era tão imunda; a solidão não era tão insuportável e sem esperança.

Quando um número suficiente de espíritos começou a sentir esse anseio e o anseio aumentou, havia chegado o momento para passar a existir o mundo material. Vocês podem dizer que Deus criou este mundo material – o que é verdade – pois nada pode ser criado sem a força criadora divina. Mas é igualmente verdadeiro dizer que o mundo material foi criado pelo anseio de alguma coisa superior.

Esse mundo em que vocês vivem agora é o produto desse desejo de se elevar, onde existem algumas condições em que o desenvolvimento pode ocorrer, e no qual a livre escolha por Deus pode ser feita , o que é impossível nos mundos da escuridão.

Em outras palavras, a esfera terrestre é o produto do anseio dos espíritos caídos. Mas ela é também um produto do anseio de todos os seres que permaneceram com Deus, cujo desejo mais profundo era e é trazer seus irmãos e irmãs de volta a Deus. Portanto, tanto os mundos divinos como os mundos da escuridão contribuíram para a criação da esfera terrestre.

Assim, existe a influência dos dois mundos, que se manifesta de acordo com a atitude individual de um ser, que também neste plano tem o poder da livre escolha. As condições e circunstâncias da esfera terrestre são diferentes, é claro, devido a essa nova forma da matéria; por outro lado, as circunstâncias variam em todas as esferas.

Muito antes de esses espíritos decaídos terem progredido o bastante para nascerem como homens e mulheres, a força vital espiritual agiu e criou outras formas de vida – não apenas animais, vegetais, minerais, mas a força vital original que atua se manifesta em todo ser criado – criou, por assim dizer, outras substâncias, substâncias que naturalmente a princípio não tinham autoconsciência, assim como uma planta ou um mineral não têm consiência de si mesmo.

Mas com o passar do tempo, mais e mais seres entraram nesse estado de anseio por luz – talvez esse fosse o único sentimento que aqueles seres tinham naquela época – aos poucos, de maneira muito gradual o homem em forma material passou a existir, depois de vários estados intermediários.  Quando isso aconteceu, estava terminada uma importante fase. Foi nessa época que o primeiro vislumbre de autoconsciência nasceu, ou renasceu, ou redespertou.

E mais e mais pessoas vieram viver na terra. É somente com essa autoconsciência, que abrange pensar e decidir, que pode haver desenvolvimento. Em outras palavras, a consciência de si –o autoconhecimento) é uma condição necessária. Todas as formas de vida anteriores ao homem chegaram somente até esse ponto.

(Palestra do Guia Pathwork #21)

 

Próxima Página

Retornar Para o Indice

Leia todas as P&Rs em Inglês no site The Guide Speaks
Leia as Palestras do Guia do Pathwork em Português
Leia as Palestras do Guia do Pathwork em Português