Comunicação com o Mundo Espiritual

Por que tudo isso me parece mais uma ficção do que a verdade? 

O Guia: Todos vocês, meus amigos, precisam entender que eu só posso fazer uma descrição muito, muito aproximada de tudo isso. Existem grandes questões envolvidas que não podem ser plenamente compreendidas por nenhum ser humano. Primeiro, porque a linguagem humana é limitada demais; segundo, porque o entendimento humano é igualmente limitado. Normalmente, nem abordo esses temas porque o principal é que vocês aprendam a conhecer a sua própria alma e, assim, se desenvolvam espiritualmente.

No entanto, muitas vezes o ser humano se indaga sobre essas questões fundamentais, não apenas por curiosidade superficial, mas de boa fé. Como a ignorância e os conceitos errados sobre alguns desses pontos podem atrapalhar seriamente o desenvolvimento de vocês, eu fui encarregado de dar essa série de palestras para esclarecê-los, mesmo que alguns de vocês ainda não tenham uma percepção interior suficientemente desenvolvida para captar e sentir a Verdade e o profundo significado de tudo isso. Não apenas de modo geral, mas de modo muito específico, atuando na vida de vocês.

Como a influência do mundo de Deus se manifestou na Terra? Poderiam os anjos de Deus guiar e inspirar os seres humanos (os anjos decaídos) que encarnaram vindos das esferas da escuridão? Isso seria impossível pois, de acordo com a Lei Universal, o ser humano deve dar o primeiro passo para receber a ajuda do mundo de Deus.

Como poderia um anjo decaído ter dado esse primeiro passo, se todo o seu ser ainda era tão rude que ele não tinha nenhuma vaga noção de Deus ou de Seu mundo e não sabia o que fazer?  Por outro lado, o mundo de Deus era cocriador da esfera material e assim, de acordo com a lei do livre arbítrio, tinha o direito de tornar sua influência manifesta na Terra.

As respostas para essas questões é que os espíritos puros, que permaneceram nos mundos divinos,  encarnaram neste planeta em todas as épocas. Sem dúvida, eram poucos, mas a influência de um ser desses excedia—e excede—em muito, a força e a influência de uma centena de criaturas do mundo das trevas.

Esses espíritos, vindos do mundo de Deus, trouxeram a luz, o amor e a sabedoria para esta esfera. Eles cumpriram uma grande missão reencarnando na Terra, e sua influência teve alcance muito maior do que se pode perceber à primeira vista.

Conforme essa influência crescia firmemente através das eras, os espíritos decaídos puderam, durante sua encarnação na Terra, escolher livremente a que lado dar ouvidos: ao que falava a sua natureza inferior ou àquele que parecia levá-los sempre para cima, por mais difícil que fosse o caminho. E uma vez que a livre escolha estava sendo respeitada, a lei de Deus não foi violada.

A comunicação com o além não ocorreu apenas por meio de orientação e inspiração, mas sempre existiu – e sempre existirá – numa forma mais direta de comunicação, ou seja, aquilo a que vocês chamam de “mediunidade”, em variadas formas. Porém, com que esferas do além a comunicação acontecerá depende inteiramente da atitude, do objetivo, do desenvolvimento geral da pessoa em questão – não apenas do médium, mas também das pessoas que recorrem àquele canal.

Naturalmente que, naqueles primeiros tempos, os seres humanos (os espíritos decaídos) não poderiam estabelever nenhuma comunicação que não fosse com o mundo das trevas. Porém, os espíritos puros encarnados na Terra se comunicavam com o mundo de Deus, e isso superava tanto o perigo e os danos de uma comunicação com os mundos infernais que, por assim dizer, “valia a pena” correr o perigo.

Se podia haver comunicação com a esfera das trevas, portanto, a ligação com os mundos de luz estava dentro da Lei Divina. Se uma delas fosse impossível, a outra seria igualmente impossível.

O raciocínio dos seres humanos a esse respeito, aliás, contém um grande erro. Muitas pessoas alegam que qualquer comunicação com o além é demoníaca e perigosa e que é a única possível.  Não poderia ter havido desenvolvimento algum nesses primeiros tempos da humanidade se os espíritos puros que aqui estavam encarnados não pudessem ter estabelecido uma ligação direta com o mundo de Deus, de onde a verdade pôde chegar à humanidade.

Mas para que esse benefício fosse possivel sem que a Lei Divina da livre escolha fosse desrespeitada, era preciso haver uma igualdade para que cada pessoa pudesse exercer o seu livre-arbítrio. Era preciso haver uma influência igual de ambos os lados. Uma influência igual significa que um número menor de seres do mundo divino poderia viver na Terra, uma vez que, a força deles sempre excede e sobrevive à influência do mal.

No entanto, principalmente nos primeiros tempos, existia um grande intercâmbio entre o mundo material e o de Lúcifer. Os espíritos das trevas diziam que eram deuses e fariam aos seres humanos concessões de todo tipo desde que a humanidade, por sua vez, fizesse o que eles determinavam. Apesar disso, e mesmo com todo o prejuízo e perigo, como eu disse, as poucas comunicações com o mundo de Deus compensavam em cem vezes esses danos.

Os espíritos puros encarnados eram suficientemente iluminados para espalharem a Verdade Divina e tinham os requisitos necessários para serem instrumentos imaculados e  estabelecerem comunicação com o mundo de Deus. Sem essa conexão mediúnica, a humanidade não poderia ter recebido Verdade o suficiente para sair das trevas.

Embora esses seres puros não abrigassem nenhum mal em si, a casca material bloqueava muitos ensinamentos que eles poderiam oferecer de seu próprio Ser. Dessa forma, a Verdade foi sendo disseminada da maneira que a humanidade, em cada período específico, estava pronta para absorver.

E assim continuou por um longo tempo. Aos poucos, mais espíritos decaídos chegaram ao estado em que conseguiam reconhecer Deus. Seu anseio se tornava consciente e significativo. Dessa maneira, a vontade de cada um pôde se desenvolver e superar os impulsos malignos, a natureza inferior em si. Essa mudança que começou a ocorrer teve um efeito muito maior do que se pode perceber à primeira vista.

Nenhum de vocês compreende plenamente o fato de que, se uma única pessoa se desenvolver; se realmente fizer tudo que está a seu alcance, ela não estará apenas ajudando a si mesma, mas contribuindo com o mais valioso poder cósmico para um grande reservatório que acabará tendo um efeito decisivo e se espalhará consideravelmente, mesmo que a própria pessoa em questão não chegue nem a perceber uma parte desse efeito.

Conforme a pessoa vai mudando, ela começa a perceber alterações imediatas a sua volta como, por exemplo, as pessoas próximas a ela também começam a se transformarem, pouco a pouco. Porém, essa pessoa não vai saber, enquanto estiver na Terra, como é imenso o efeito, por menor que sejam os seus esforços, nessa direção.

Nenhum esforço desses é em vão, meus amigos!  É como se vocês jogassem uma pedra num lago de águas calmas. Formam-se anéis e mais anéis, que vão tão longe que os olhos não podem acompanhar—mas eles estão lá. Se uma pessoa supera uma única fraqueza, isso constitui a melhor ajuda nesse grande plano de salvação de Deus.

(Palestra do Guia Pathwork #21)

 

Próxima Página

Retornar Para o Indice

Leia as Palestras do Guia do Pathwork em Português
Leia as Palestras do Guia do Pathwork em Português
Leia todas as P&Rs em Inglês no site The Guide Speaks