O Trabalho de Cura

O Que Precisamos Aprender Nesta Terra da Dualidade

Toda a nossa jornada de crescimento e o trabalho de cura pode ser resumida em algumas palavras ou frases muito simples. A “autorresponsabilidade” é uma dessas palavras. “Despertar” é outra.

Ao ler os tópicos abaixo, tenha em mente o quanto precisamos assumir a responsabilidade por todas as nossas experiências de vida, vendo onde e como elas se originam dentro de nós. A partir disso, perceba que nosso trabalho é, em grande parte, nos tornarmos conscientes dos aspectos em nós que simplesmente desconhecíamos.

Não existem obrigações nem deveres. Pelo contrário. Este é um convite para olharmos quais são os aspectos da cura não estamos percebendo. Então, à medida que avançamos na vida, podemos fazer escolhas diferentes, afinal de contas, quando sabemos mais, fazemos melhor.

 

A Alma Fragmentada

  • Nós já nascemos divididos numa metade masculina ou feminina. O anseio de nos unirmos com uma outra metade deriva dessa fragmentação no nível da alma.
  • Cada alma também contém uma divisão interna primária. A cura dessa divisão é uma das principais razões pelas quais encarnamos nesta esfera dualista. Essa divisão é transferida para nossos pais. Um dos pais vai encarnar o lado daquilo que acreditamos ser a verdade; e, o outro progenitor vai encarnar a crença oposta (por exemplo: “Dói ser visto; dói não ser visto”). Nenhum dos lados está totalmente alinhado com a Verdade. E compreender isso é a tarefa do adulto maduro.
 

Necessidades não Satisfeitas

  • As crianças querem ser amadas 100% porque estão apegadas à maneira dual de pensar do tudo ou nada. Mas, devido às limitações humanas de nossos pais (que também têm suas próprias divisões e distorções), não é possível receber esse amor incondicional que ansiamos.
  • Nesta vida, nós escolhemos os nossos pais conforme a sua capacidade de criar as condições ideais que trarão nossas divisões e distorções inconscientes à superfície para que possamos vê-las e curá-las.
  • Freqüentemente, nos ressentimos e sonhamos com pais “melhores e mais amorosos”, mas mesmo que tais pais estivessem disponíveis, não poderíamos nascer através deles pois isso derrotaria todo o propósito da nossa encarnação, uma vez que as nossas cisões precisam vir à tona para que possamos vê-las e trabalhar para curá-las. (Nota: não é necessário ter pais perfeitos para que uma criança se sinta amada. Se a parentalidade “boa o suficiente” é oferecida, a criança não sofre. Na medida em que o relacionamento com os pais for saudável e satisfatório, vamos sendo curados em nossas camadas internas.)
  • Devido à nossa divisão interior e outras distorções que se somam às divisões e distorções de nossos pais (e irmãos ou familiares substitutos), nossas necessidades não são satisfeitas na infância. E isso gera muita dor.
 

Erros, Culpas e Omissões

  • Nossa reação à dor é a origem de nossas três falhas primárias (todas as outras falhas nascem a partir delas):
    • Medo: Em nosso estado imaturo, percebemos a vida nos termos de preto e branco. Tudo se resume à vida e morte, então, o prazer equivale à vida e a dor equivale à morte. Em resumo, tememos a dor porque pensamos que significa morte. (Muitas vezes, em nossa desesperança, nos resignamos à “morte”—desistindo de obter prazer ou conseguindo o que queremos—mas essa é apenas uma estratégia ineficaz para lidar com a crença de que a dor nos matará. Como não podemos evitar a dor, mergulhamos de cabeça nela. Mas isso também não aniquila a dor.)
    • Orgulho: Este sentimento faz com que nos sintamos melhores que os outros porque na verdade, nos sentimos piores. Isso acontece porque na infância, nossas necessidades não satisfeitas nos deixaram com um sentimento de baixa autoestima ou que não não somos bons o suficiente.
    • Obstinação ou voluntarismo: Em um esforço para evitar a dor e enfrentar a nossa infeliz conclusão de que somos inúteis, nós aplicamos a nossa vontade de nos defendermos. Tornamo-nos teimosos, rebeldes, resistentes à mudança e avarentos (inclusive no que diz respeito a entregar o melhor de nós mesmos, como, por exemplo, nossos dons e talentos).
 

Energia Congelada e Bloqueios Fisicos

  • Nós nos anestesiamos para evitar os sentimentos dolorosos. O problema é que esta estratégia impede a fluição tanto de sentimentos negativos quanto dos positivos. O fato é que quando crianças, para evitar a dor, prendiamos a respiração ou respirávamos superficialmente. Enquanto adultos, nós ainda fazemos isso quando surgem sentimentos desagradáveis, além de nos distrairmos ou desenvolvermos habitos e vícios para evitar ainda mais nossos sentimentos.
  • Esta ação entorpecedora cria bloqueios congelados em nosso campo de energia, que por sua vez se manifestam no corpo. Esses núcleos de energia permanecerão congelados até sentirmos a dor não sentida.
  • Nossos corpos desenvolvem suas formas seguindo padrões que resultam da maneira como congelamos nossos sentimentos. Frequentemente, a doença no corpo pode ser atribuída à nossa reação inicial à dor.
 

Defesas

  • Toda criança escolhe uma estratégia para evitar a dor: Agressão,Submissãoou Retraimento. Isso se traduz em comportamentos projetados para que nossas necessidades sejam atendidas—para obter amor—usando adequadamente uma Máscara de Poder, uma Máscara de Amorou uma Máscara de Serenidade. O problema é que esse mecanismo não funciona e, em vez disso, traz ainda mais dor.
 

Autoimagem Idealizada

  • Acreditamos que se formos perfeitos—se projetarmos uma versão ideal de nós mesmos—seremos amados. Então, nós usamos uma máscara de perfeição projetada para compensar nossa falta de autoestima e conseguir amor. Mas isso também não funciona.
 

Crítica Interna—O Acusador

  • Nós internalizamos a voz de nossos pais—geralmente aquele que mais odiamos—e agora, em vez de uma outra pessoa ser cruel conosco, nos tornamos os algozes de nós mesmos.
 

Negatividade

  • Prazer Negativo: Os seres humanos são programados naturalmente para sentirem prazer. Se o prazer não é o que experimentamos quando crianças, nós conectamos a nossa força vital à destrutividade e às experiências dolorosas que vivenciamos. Em seguida, passamos a viver com fios em curto circuito, recriando experiências destrutivas para nos sentirmos energizados.
  • Intencionalidade Negativa: Nosso Eu Inferior encobre o nosso Eu Superior com a intenção de nos manter no estado de separatividade. Dessa forma, nós resistimos a dar ou a ceder e ficamos presos em nossa miséria. Nosso Eu Inferior usa nossas conclusões erradas sobre a vida para justificar nossa intenção de nos separar da vida.
  • Corrente do Não: Em nosso inconsciente estão escondidas as crenças errôneas que nos levam a dizer “Não” à autorrealização e ao preenchimento. Como resultado, vamos nos sentindo frenéticos em relação ao “Sim” e para o que desejamos. Com um “Não” oculto, o nosso “Sim” será sempre ineficaz. (Por exemplo, se nos sentimos rejeitados por um dos pais, podemos ter uma corrente interna inconsciente que diz: “Eu preciso de alguém que me rejeite”.)
 

Conclusões Errôneas e Ocultas

  • Nossas crenças equivocadas sobre nós mesmos, os outros e a vida em geral, são chamadas de “imagens”. Elas são generalizações formadas na infância e com a lógica imatura de uma criança. Nós vamos aplicá-las à vida como se fossem 100% verdadeiras. (Por exemplo, “Todosos homens mentem para mim”, “Eu nuncaserei boa o suficiente”, “Todosquerem que eu me sinta solitário”.) Nossas crenças nos levam a nos comportarmos de certa maneiras que acabamos recriando experiências de vida que confirmam essas crenças e fazem com que elas pareçam ser a verdade. Mas elas não são.
  • Quando crescemos, nossas conclusões errôneas afundam em nosso inconsciente e deixamos de percebê-las. Uma vez que já não estamos cientes delas, não podemos mais alterá-las usando nosso raciocínio maduro e adulto. Por isso, essas crenças passam a nos governar. Nossas situações de vida refletem exatamente o que acreditamos inconscientemente.
 

Recriando As Feridas da Infância

  • Dessa forma, estamos fadados a repetir a criação de círculos viciosos causados pelas armadilhas do pensamento errôneo e sentimentos reprimidos que nos mantêm girando em velhos sofrimentos. Seguimos nos defendendo da dor causada por nossas próprias distorções internas.
  • Até que possamos trazer essas inverdades ocultas à consciência, iremos transferir inconscientemente as nossas divisões internas e pensamentos errôneos para todas as pessoas que formos encontrando pela vida, vendo-os através de nossas lentes internas distorcidas, em vez da realidade de quem elas são: pessoas com qualidades positivas e negativas, assim como nós , e que não são nossos pais.
  • Além disso, a criança interior fragmentada sente que foi derrotada e que, desta vez, vai conseguir vencer! No entanto, não é verdade que fomos derrotados e, portanto, é igualmente falso que, se permanecermos perdidos na ilusão, venceremos. A vitória está em ver a verdade maior da situação e morrer para os nossos sentimentos de frustração. Lembre-se, seja lá o que for que você estiver sentindo, isso não lhe matará. Pelo contrário, aceitar e acolher todos os nossos sentimentos é o que nos liberta.
 

O Ego

  • Embora todas as pessoas tenham, em essência, um Eu Superior—repleto das qualidades divinas de coragem, amor e sabedoria—cada um de nós passou pela Queda (ver Parte Dois) e adquiriu um Eu Inferior. O objetivo do nosso Eu Inferior é nos manter separados do Eu Superior. Para seguir o caminho do Eu Inferior, precisamos apenas seguir o caminho de menor resistência—a porta larga.
  • Isso significa que o ego deve fazer um esforço para transcender o Eu Inferior e seguir a voz interior sussurante do Eu Superior. A meditaçãopode ser útil para ouvir o que o Eu Inferior está dizendo; para avaliar as etapas do trabalho; assim como, para ouvir a direção mais sábia que flui continuamente do nosso Eu Superior. Nós precisamos baixar o volume do alto clamor de nosso Eu Inferior—sentindo nossa velha dor e encarando nossas conclusões erradas—antes que a verdade que emana do nosso Eu Superior possa ser percebida e impressa em nossa substância da alma.
  • Fazer o trabalho de cura exigirá que tenhamos um ego forte e bem disciplinado que esteja disposto a fazer esforços, que pague o preço por aquilo que desejamos e que não tente enganar a vida.
  • O ego também deve aprender a se entregar ao Eu Maior, pedindo ajuda, ouvindo orientação, abrindo mão de expectativas de alcançar resultados e aprendendo a confiar em Deus. Um ego forte sabe que pode desistir de ter o que o pequeno eu quer, pelo menos por um tempo limitado, como um passo necessário para encontrar Deus internamente e, finalmente, conseguir o que realmente se deseja: estar em paz.
 

Transformação

  • Quando fizermos o trabalho de liberar velhos sentimentos reprimidos e reorientarmos nosso pensamento para nos alinharmos com a verdade, experimentaremos uma profunda liberdade interior.
  • Nossa crença em algo maior do que nós mesmos irá se desdobrar organicamente à medida que aplicarmos esses ensinamentos às nossas vidas e nos libertarmos de nossas próprias prisões. É difícil descrever a alegria e a serenidade que se revelam quando estamos alinhados com a Verdade.
  • Não há nada que devamos acreditar cegamente. Mas, ao fazer nosso trabalho, um passo de cada vez, chegaremos a um momento em que saberemos que a cura é possível e que esses ensinamentos podem nos levar para casa: o Eu Real.
  • O valor de nascermos nesta esfera dualista está exatamente na fricção que surge naturalmente entre as nossas distorções e as distorções internas dos outros. Como muitas vezes não vemos nossas distorções, nós as projetamos nos outros aonde podemos vê-las. O problema é que na maioria das vezes paramos por aí e ficamos atolados em culpa e vitimização. Precisamos ir além e encontrar a verdade contida na mentira e e adentar aonde temos a capacidade de corrigi-la: dentro de nós. Com o tempo, se conseguirmos atravessar nossos próprios obstáculos, nossos atritos com os outros se resolverão.
  • Conforme formos amadurecendo, aprenderemos a amar incondicionalmente e, em retorno, receberemos o que nossos corações desejam. Saberemos o que queremos, em vez de confiar nas exigências irrealistas de nossos eus fragmentados. Nossas partes internas imaturas precisam de cura para podermos nos reintegrar e nos tornarmos plenos novamente.

 

Compreendendo os Ensinamentos | O Trabalho de Cura • A PrequelaO Resgate

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